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por Jorge Alfredo

 

 

1

 

Tivesse eu nascido noutros tempos

E de nada adiantariam as tuas preces.

Queira Deus que eu minta

Na visita dos Anjos que entristecem.

 

Ser bandeira nos mastros d’outras guerras

Onde não tendo ido enlouqueci;

Aos 18 sequei toda a inocência

Me resumi eu mesmo dentro de mim.

 

Nas diligências do abandono

Há cicatrizes dormindo nas varandas

São fígados e pleuras saturados

De exigidas promessas de cura!

A cirurgia!

Na esperança que os males se decifrem

Ainda arrumo essa biblioteca.

 

2

 

Perdi a simpatia das moças do meu bairro

Atravesso a rua, consciente

Hesitante e pequenino sigo em frente

E os amigos me seguram pelo braço.

A zona é livre e me sinto orgulhoso

Um laço de fita, um amor sempre novo

Dei sumiço afinal nos meus sapatos!

 

O amigos são mentiras tresloucadas;

As promessas inundam o coitadinho

Deus me conserve deitado e enroladinho

E termine de vez com a palhaçada…

Os deuses são promessas

e os homens sacrifícios

Te juro que é difícil

outra verdade senão esta;

Os amores são terríveis.

Perdi todo o meu porte!

 

Ah, não ter motivos nem contradições

Habitar sozinho o teu segredo

Remorder do teu ventre as sensações

De um sentimento qualquer sem sentir medo.

Rodapé dos teus desejos prolongados

Quem me abrirá as portas do teu sexo?

 

És um monte enorme de concreto

Que me acalma e me conduz

A cidade é o teu presépio

E eu, o menino Jesus!

Perdi o jeito simples de contar os fatos.

Também assim, pudera!

Dirijo as 4 rodas da bondade

Bonito e casual como o universo.

Meu coração não erra!

 

3

 

Aprendi

Como quem aprendeu corte & costura

A me masturbar

E as palavras são paixões de cera

São tristuras

No aniquilamento dessa hora.

Palavras duras, nuas

Sem dó nem pecado

Ao menos costuras reconciliadas.

Enceradeiras no ar, painéis furados

E no meio da rua e no canto da sala

Existe sempre o que sempre existirá

Ô lá lá, ô lá lá!

Aprendi a juntar palavras

Aprendi a me masturbar!

 

Bebo-me aos poucos

Pelo louco prazer dessa estória.

Pobre primo meu! quantas palavras

Quiseram ser grandes

E eis que, amenas, sucumbidas

Aventuraram o desencanto

 

Que nem sempre as flores floram

De repente elas rebolam

Para as quitandas do mar.

Ô lá lá, ô lá lá

Aprendi a juntar palavras

E gozei ao me contemplar!

 

 

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