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Por Giovanni Soares

O Brasil convive há anos com uma guerra entre facções criminosas, ligada sobretudo ao mundo das drogas, que tem gerado violência, mortes e desespero às cidades brasileiras.

O livro A guerra — a ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil nos conta o que está por trás do crime organizado, através de uma reportagem ampla, bem escrita e embasada em pesquisas.

A ideia do livro nasceu de uma matéria que o jornalista Bruno Paes Manso desenvolveu para a revista Piauí sobre a crise nos presídios no Brasil, publicada em fevereiro de 2017.

O editor Flávio Moura, da editora Todavia, gostou do que leu e convidou Bruno Paes Manso e a socióloga Camila Nunes Dias para, a quatro mãos, escrever um livro sobre o tema.

Antes, Bruno Paes Manso havia viajado à Paraíba para fazer uma reportagem para o jornal O Estado de S.Paulo sobre o crescimento dos homicídios no estado; e Camila Nunes Dias já realizava pesquisas na região das fronteiras brasileiras, especialmente no Mato Grosso do Sul, por onde entra o maior volume de drogas no Brasil.

Os autores toparam o desafio, mergulharam fundo no assunto e lançaram uma radiografia do crime organizado brasileiro, tendo como pano de fundo o PCC (Primeiro Comando da Capital), a maior facção criminosa do país.

As principais facções que dominam o comércio de drogas no Brasil nasceram do lado de dentro dos presídios. A Falange Vermelha deu origem ao Comando Vermelho (CV) em 1979 na prisão Cândido Mendes, na Ilha Grande, no Rio de Janeiro. Já o PCC foi fundado em 1993 dentro da Casa de Custódia de Taubaté, considerada na época o presídio mais rígido de São Paulo. Nos anos de 1990, o celular transformou e potencializou o crime nos presídios de todo o Brasil, permitindo a comunicação entre os presos e seus amigos e parceiros que estavam do lado de fora das cadeias.

Os autores: Bruno Paes Manso e Camila Nunes Dias

As duas organizações, cada uma à sua maneira, chegaram a outros estados brasileiros através de parcerias com grupos locais. No caso do CV, por exemplo, fazendo alianças com o Sindicato do Crime, do Rio Grande do Norte, Bonde dos 40, do Maranhão, e Okaida, da Paraíba. Já o PCC, juntando-se com Guardiões do Estado, do Ceará, Bonde dos 13, do Acre, Bonde dos 30, do Pará, e Estados Unidos, da Paraíba. E assim, tornaram-se verdadeiras “agências reguladoras do mercado de drogas”. Os inimigos de todos esses grupos criminosos são as polícias e o sistema.

Essas organizações têm todo um manual de normas (“o crime fortalece o crime” é uma das máximas do PCC), lemas (“Paz, Justiça, Liberdade, União e Igualdade”), etiquetas criminais (“ninguém é melhor do que ninguém”), terminologias e gírias. “Salve” é comunicado, “caguetagem” é denunciar terceiros à polícia, “talaricagem” é dormir com a mulher de um preso ou ladrão, “vacilão” ou “atrasa lado” é atrapalhar a atividade de um concorrente, “rasgar a camisa” é sair de uma facção, e “jack”, sinônimo de estuprar.

Os autores salientam que o Rio de Janeiro foi pioneiro no tráfico de drogas. São Paulo só se voltaria para esse tipo de crime duas décadas depois. Após controlar o comércio de drogas internamente, as duas poderosas facções, CV e PCC, resolveram “reduzir ou eliminar os intermediários na cadeia do comércio de drogas e controlar todas as suas etapas”. O CV chegou ao Paraguai em 1997 e o PCC, em 2010. Foram passos importantes na formação de redes nacionais e internacionais de tráfico de drogas. E com isso, aumentaram substancialmente os conflitos e o número de mortes.

As rebeliões e as transferências de presos ligados às facções ajudaram (e ainda ajudam) a expandir as organizações pelo país. A presença de líderes do CV e do PCC nos presídios do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul contribuiu — e muito — para a expansão do crime organizado em nossa Pindorama. Afirmam os autores: “muitos deles, especialmente do PCC, atuavam em quadrilhas vinculadas a grandes roubos — bancos, carros-fortes, cargas. […] Nesse ponto, o assalto aos cofres do Banco Central do Brasil em Fortaleza, em agosto de 2005, foi emblemático”.

Os autores dizem ainda que “as atividades criminais, mesmo as minoritárias, passariam a ser executadas por homens armados, dispostos a ganhar dinheiro, seduzindo os jovens locais a embarcar na aventura. Com a profissionalização do varejo da droga e o incremento do acesso a armas de fogo em áreas até então livres desses problemas, a violência começou a se multiplicar”.

É fato que as instituições do Estado precisam acompanhar a expansão do mercado de drogas com mais atenção e inteligência. “O mais importante é compreender a lógica dessa indústria, seus mecanismos de reprodução, que mesmo durante as piores crises econômicas é capaz de empregar mais gente. […] Apesar de sofrer resistência em diversos países e correntes políticas, a regulamentação desse mercado e a descriminalização das drogas são a forma mais eficiente de reduzir ganhos do tráfico e controlar a violência”, sugerem Bruno e Camila.

Enfim, A guerra — a ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil é um livro essencial para compreender atualmente as organizações criminosas e a violência urbana que tanto atormentam a sociedade brasileira. Vale uma leitura.


Post scriptum

Na sequência, selecionei duas histórias (trágicas) descritas em A guerra — a ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil, que reproduzo ipsis litteris abaixo. Sem dúvida, essas histórias dariam bons roteiros de filmes, sejam curtas, médias ou longas-metragens.


HISTÓRIA 1

‘Antes de tudo isso acontecer comigo, eu acreditava na Justiça’

Nos países em guerra, a figura de um inimigo ameaçador costuma aumentar a tolerância da população aos excessos dos governos. Não importa se comunista, terrorista, fundamentalista, essas imagens têm ajudado muitos governantes a conquistar apoio político, se aproveitando do medo dos seus eleitores, com um discurso de ódio em defesa da virulência. Nas cidades brasileiras, desde que os “bandidos” se tornaram o bode expiatório preferencial que impede as pessoas de viver em paz, inúmeras injustiças e violações foram praticadas em nome dessa guerra doméstica contra o crime.

Um dos casos mais absurdos ocorreu em maio de 2006 com Vera Lucia dos Santos, que passou a última década inserida em uma trama digna de filme de terror. Vera levava uma vida sem sobressaltos na cidade de Santos. Tinha carreira como manicure e cabeleireira, fazendo unhas, penteados e tingindo cabelos nos salões de beleza da região central. Vivia perto dos quatros filhos adultos e mantinha contato com os seus enteados e netos, que ela ajudava a criar. O marido, um eletricitário da Docas, empresa que atuava como operadora do Porto de Santos, havia morrido de derrame cinco anos antes, deixando uma pensão que permitia à família seguir tocando a vida.

A vida era dura, mas uma tragédia ocorrida no dia 15 de maio de 2006 mostrou que as coisas poderiam piorar numa escala inimaginável. Naquele fim de semana, policiais e agentes penitenciários tinham sido atacados e mortos por integrantes do PCC. Havia tensão nas ruas de Santos, mas nada que abalasse o clima festivo do apartamento de Vera, que compartilhava com a família uma alegre expectativa. No dia seguinte, 16 de maio, Ana Paula, sua caçula de vinte anos, grávida de nove meses, daria à luz Bianca na Santa Casa da cidade, a alguns quarteirões dali. A cesariana já havia sido marcada.

Durante a tarde, Vera, a filha e amigos assistiram aos filmes de vídeo que o genro, Eddie Joey de Oliveira, descendente de um marinheiro filipino, alugou na locadora. Perto das 19 horas, Ana Paula sentiu vontade de tomar uma vitamina. Sugeriu que ela e o companheiro fossem na padaria beber o suco e buscar o leite de sua outra filha, Ana Beatriz, que tinha pouco mais de um ano. O casal estava acompanhado do compadre que seria o padrinho de Bianca, e do cunhado.

Os quatros passariam na frente de um bar. Homens que tomavam cerveja saíram de lá, entraram em um carro e seguiram o grupo de perto. Também eram quatro. Os boatos sobre revanche da polícia e toques de recolher estavam fortes nos bairros com comércio de drogas dominados pelo PCC. O compadre do casal, ao ver um carro vindo lentamente atrás deles, ainda falou: “Vai ter geral”. Joey o tranquilizou. Não estamos devendo nada. Vamos para a padaria.” Como os quatros não tinham ligação com o crime, não imaginaram que seriam importunados. Antes que eles chegassem, os homens saíram de dentro do carro com touca ninja. E atiraram. O compadre e o cunhado do casal conseguiram correr, fugindo das balas. Ana Paula achou que a barriga a salvaria e ficou. Joey não abandonou a mulher e a filha. “Sou trabalhador”, chegou a dizer antes de tomar um tiro. Ana Paula entrou na frente e levou um disparo no braço. Caiu no chão. Ao se levantar, puxou a máscara do criminoso e o reconheceu. Joey começou a gritar o nome do assassino e a pedir que soltasse a mulher grávida. “Ela está grávida”, dizia.

O assassino deu uma chave de braço em Ana Paula e colocou a arma em sua cabeça. Antes de disparar, disse: “Estava”. Joey se jogou sobre a mulher morta e tentou acordá-la. Foi metralhado pelas costas e também morreu. Uma mulher grávida e seu marido foram mortos no centro de Santos.

A chacina de uma família pobre da região das docas na véspera do nascimento de uma criança não foi o bastante para os assassinos. No dia seguinte, Vera organizou o velório. Ainda desnorteada com a tragédia, ouviu da vizinhança que não poderia velar os mortos. “Minha filha tinha família e vou fazer”, decidiu Vera. A cerimônia foi realizada na mesma Santa Casa em que a neta nasceria. De repente, um carro de polícia estacionou em frente ao portão e passou a revistar os presentes, pedindo documentos. O carro foi embora. Sassá e Tico, dois amigos da família, se despediram e foram para casa. Uma hora depois, foram atingidos por disparos. Tico morreu tempos depois, em decorrência do ferimento, após ser preso sob acusação de tráfico de drogas. Sassá virou evangélico e continua em Santos.

Perder a família, ter os amigos perseguidos, ser obrigada a aceitar o massacre em silêncio para não morrer assassinada, encontrar diariamente os assassinos da família trabalhando na vizinhança… Vera precisava de respostas e lidava com o descaso da polícia. Ela ouviu testemunhas, que temiam contar a verdade para as autoridades. Fez o papel de investigadora, mas nunca deu nomes. Era preciso juntar forças, pedir ajuda.

Conheceu Débora Silva, que também teve o filho morto em Santos e visitou em casa junto de outras mães. Elas se juntaram na cobrança por punição aos assassinos. Começava a se formar o Movimento Mães de Maio. O movimento ganhou visibilidade e exposição na imprensa. A resposta dos policiais aos ataques de maio de 2006 passou a ser discutida nos jornais e em debates públicos. As mães vinham de Santos a São Paulo pedir apoio e mobilizar atores para a luta. Em 2008, depois de uma série de entrevistas, ao voltar para a Baixada Vera teve a casa invadida por policias, acusada de tráfico de drogas. Revisitaram o imóvel, quebraram móveis, tiraram as roupas do armário. Vera estava em casa com uma amiga, o genro e um amigo do genro. Foram todos levados à delegacia.

No dia seguinte, Vera soube que a polícia a acusava de tráfico alegando que drogas haviam sido encontradas dentro do tanque de sua moto. Atordoada, negou. Os quatros acabaram presos e acusados de tráfico. O marido da amiga presa arrumou um advogado para tentar livrá-las. Vera soube depois que era um ex-policial, que acabou atrapalhando a defesa dela no caso e impediu que um defensor público a ajudasse. Débora e as Mães de Maio tentaram defendê-la, sem sucesso. Dois anos depois de perder a filha, a neta e o genro e ter iniciado um movimento que não conseguiu promover a punição dos autores do crime contra seus familiares, Vera foi condenada. Sua história de vida, sua conduta, as dívidas do Estado e da Justiça para com ela, o testemunho de pessoas que confirmavam sua honestidade, o histórico de suspeitas de flagrantes forjados pela polícia, as recorrentes violências praticadas por policiais contra famílias pobres em Santos, nada disso foi suficiente para comover a justiça. Vera foi condenada por tráfico e passou três anos e dois meses na prisão.

“Antes de tudo isso acontecer comigo, eu acreditava na Justiça. Achava que só iam para a cadeia pessoas que eram culpadas de algum crime. Por isso me senti humilhada com a prisão. Sabia que um monte de gente ia achar que eu era culpada. Precisei conviver com isso, mesmo sem dever nada a ninguém”, disse. Vera ficou na Penitenciária Feminina de Franco da Rocha por dois anos e seis meses. Quando conseguiu o semiaberto, foi para Piracicaba. Nesse período, ela se recusou a receber a visita de familiares, que também foram proibidos de lhe enviar comida e produtos que a ajudassem a se manter no duro cotidiano da prisão. “Eu tinha medo que eles plantassem alguma droga ou outra coisa lá dentro e incriminassem minha família”, contou.

Para passar o dia e conseguir dinheiro para comprar mercadoria do comércio no presídio, Vera fazia as unhas e os cabelos das presas na véspera dos dias de visita. Amigos, parentes, pais e filhos são os frequentadores mais recorrentes nos presídios femininos. Poucas presas recebem a visita do marido, pois os homens costuma abandonar a mulher nas prisões. Vera estava quase sempre sozinha. Saiu novamente mudada. Apesar de tantos motivos para desanimar, Vera seguia firma por causa da religião, que a ajudava a afastar os piores pensamentos quando a dor apertava. “Sou espírita”, ela contou, em uma de suas últimas entrevistas, a um dos autores deste livro.

“Eu não acho que a Ana Paula, minha neta e meu genro morreram. Não é assim que eu vejo. Digo para mim mesma que eles foram viajar. E que um dia eu vou viajar também. Vamos nos encontrar em outro lugar e mataremos a saudade.”

Vera morreu no dia 3 de maio de 2018, aos 59 anos. Foi encontrada deitada na cama de seu quarto, ao lado de fotos de sua filha Ana Paula.


HISTÓRIA 2

Pena de morte com sentença via conference call

A pacata cidade de Pirassununga é conhecida por fabricar uma das pingas mais populares do Brasil, a Caninha 51, e por ser a sede da escola de oficiais da Força Aérea Brasileira. Tem cerca de vinte edifícios na pequena mancha urbana que pode ser vista da rodovia Anhanguera, um dos eixos viários que ligam as cidades mais prósperas do interior de São Paulo. No dia 27 de março de 2007, a cerca de três quilômetros da Praça da Matriz, no bairro da Vila Esperança, Adriano, um pedreiro de 33 anos, foi morto a tiros. Seu assassinato, um dos doze ocorridos naquele ano na cidade, não foi o que mais surpreendeu as autoridades locais. Os desdobramentos dos homicídios é que revelaram em detalhes o funcionamento de novas práticas do submundo do crime.

No dia em que foi morto, Adriano dava carona de moto a sua mulher e a uma amiga quando tentou passar pelo vão entre um quebra-molas e a calçada. Perdeu o equilíbrio e caiu no chão com as duas moças. Três jovens que estavam perto da cena deram risada e provocaram o motoqueiro, que lhes deu uma resposta atravessada. Um desses jovens, Fabrício, sacou o revólver e deu dois disparos na cabeça de Adriano, que morreu na hora. Junto com Fabrício estavam seu irmão, Fabio, e um amigo, Marcelo.

O crime a sangue-frio causou revolta nos vizinhos, e as autoridades policiais do distrito passaram a apurar o caso. Não houve tempo, porém, para prender o culpado. Dois dias depois do crime, em uma rápida apuração paralela, ele já havia sido capturado para responder a um tribunal de exceção organizado por integrantes do PCC. Seria mais um entre tantos debates que a facção começava a organizar no estado, e as conversas acabaram gravadas por acaso por policiais do Departamento de Narcóticos (Denarc), que investigavam um caso de tráfico de drogas. Foram registradas pelo menos 24 horas de diálogo dos criminosos, com 120 páginas de transcrição.

O jovem acusado de assassinato e seus dois amigos foram levados para uma chácara alugada na zona rural da cidade, assim como as duas moças que estavam na moto e testemunharam a cena. Também estavam presentes pelo menos cinco integrantes do PCC da região. Na chácara, os telefones foram ligados aos celulares dos representantes do PCC que estavam dentro de presídios paulistas. Eles seriam os juízes informais do caso durante a “conference call”. O pedido do julgamento tinha partido de Agnaldo, irmão da vítima, que já havia sido preso. Agnaldo queria a pena de morte para os três envolvidos no assassinato de Adriano. Os debates sobre a pena que deveria ser aplicada se estenderiam ao longo de dois dias.

Nas gravações feitas pela polícia durante o julgamento, um dos representantes do PCC, que estava na chácara e havia sido o responsável pela apuração do caso em Pirassununga, explicou aos demais a representatividade dos “juízes do caso”: “A situação envolve vida. Nem que nóis tenha que ouvir aí dez vez, irmão. É situação de vida, ele [Fabrício] já errou. Nóis não pode errar em cima do erro deles, entendeu? Se nóis têm alguma dúvida aí, nóis vai ter que tirar elas, irmão”. Um dos integrantes do grupo tinha a tarefa de anotar todos os testemunhos em um caderno, com um taquígrafo. “O falecido era um menino bom, pai de família, deixou três filhos”, completa.

Depois do vaivém das falas das testemunhas e dos réus, que confirmaram a narrativa inicial sobre o crime, os três acusados admitiram o erro e pediram perdão. Fabio e Marcelo, que acompanhavam Fabrício na hora dos disparos, foram chamados ao telefone para receber a sentença, vinda do celular de dentro de uma cela do presídio. “Veja bem, cara. Aí, você vai ter uma oportunidade de vida, entendeu, cara?” Os dois cúmplices sobreviveriam, mas teriam que deixar o bairro e a cidade. Marcelo aceita a sentença: “Entendi”. Outro preso complementa e faz um alerta para que não haja nenhuma retaliação: “Se ocorrer algum tipo de situação, tanto com a ex-mulher do menino que faleceu ou com qualquer pessoa que faz parte da família dele ou dela, nóis vai cobrar você radicalmente, entendeu, Marcelo?”. Eles tranquilizam os integrantes do debate de que as pessoas que os acusaram não sofreriam retaliações.

Fabrício, o autor dos disparos, também foi chamado ao telefone para saber que morreria. “Você tem ciência do que cometeu, você tirou uma vida, até mesmo sem dar uma defesa pro mesmo, certo Fabrício? Então, veja bem, Fabrício, a gente não admite isso em lugar nenhum, entendeu, cara?” Ele responde: “Certo, irmão”. A ligação acaba. Fabrício larga o telefone, resignado. A conferência se encaminha para o final. “Beijão para todos os irmãos”, despedem-se os juízes, antes de encerrar a sessão. Fabrício foi morto com cinco tiros à queima-roupa na noite de 3 de abril. Agnaldo, que solicitou o julgamento e a pena de morte, aplicou a sentença. Os debatedores determinaram que ele próprio deveria dar os disparos. “Procuramos em vários locais durante a noite para evitar o crime, mas acabamos achando o corpo já sem vida de manhã em uma pedreira”, contou em agosto de 2016 o chefe dos investigadores do Distrito Policial de Pirassununga, Luiz Fernando Coradini, um experiente e bem informado oficial da cidade, que recebeu de um agricultor que passava pelo local a indicação sobre o paradeiro do corpo.

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