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por Lula Oliveira

 

 

Em 2017, o projeto de longa metragem A Matriarca foi um dos contemplados pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) da Agência Nacional de Cinema (Ancine), através da chamada pública do Prodecine 01. Vale ressaltar que essa é uma das linhas de fomento mais concorridas no audiovisual brasileiro através do FSA/Ancine, o que muito nos gratifica e também aumenta a nossa responsabilidade diante da realização deste projeto. O roteiro também foi vencedor do edital de Desenvolvimento de Roteiro do Governo do Estado da Bahia em 2012 e participou do Laboratório de Desenvolvimento de Roteiros no Pan Lab – Panorama Coisa de Cinema na Bahia em 2014.

Toda família tem seus segredos

A Matriarca é um filme inspirado – mas não biográfico – numa estória real, de uma tradicional e pobre família brasileira oriunda do interior do Brasil. Nesse caso, da região do baixo Sul do estado da Bahia, no município de Valença. Uma família mestiça, fruto de dois casamentos desfeitos, dez filhos criados por uma mulher forte e batalhadora. Descendentes de vários traços raciais: branco, mulato, indígena, negro…uma mistura que mais parece uma descrição fantástica. Mas é real, verdadeira e visceral. Uma família regida por uma grande mulher: uma verdadeira Matriarca.

Uma família que não se reunia há quase 20 anos, resolve se reencontrar para o aniversário de 80 anos da Matriarca. No dia do seu aniversário, ela morre. E o que seria uma festa, se transforma em um velório. Era o dia 4 de dezembro, dia de Santa Bárbara, a quem a Matriarca dedicava grande devoção (Eparrê Yansã!).

Ao longo do velório, vamos vivenciando os conflitos dessa família e os motivos que fizeram acontecer tal diáspora familiar. Um olhar, em particular, conduz a estória: o do neto Luisinho. Um garoto que pela primeira vez experimenta o contato físico com a morte ao acariciar o rosto da avó dentro do caixão. Ao mesmo tempo, ele vê nascer dentro de si o sentimento de paixão pela namorada francesa de um dos tios. Sentimentos que fazem o garoto inconscientemente refletir como, num ambiente cercado de dor e morte, podia fazer a vida e a paixão pulsar tão forte.

A Matriarca nasceu no dia de Santa Bárbara. No dia da sua chegada ao mundo, uma noite de tempestade, sua mãe dá-lhe a vida literalmente: após um parto complicado, em que ambas poderiam morrer, a mãe falece. Seu pai então faz uma promessa: se a filha sobrevivesse, seria devota de Santa Bárbara e teria a obrigação de construir e cuidar de uma Igreja para a Santa até a sua morte.

Uma promessa (e uma premissa) que constrói a personalidade dessa mulher. Uma Matriarca que sobreviveu criada pelo pai, sem a mãe por perto.

O universo do filme busca uma aproximação com o realismo fantástico. Atemporal e Universal. Aliás, filmes onde as famílias são tema central da estória é uma marca da cinematografia mundial. “Festa em Família” (Thomas Vinteberg); “Feios Sujos e Malvados” (Ettore Scola); “Parente é Serpente” (Mario Monicelli); “A excêntrica família de Antonio” (Marleen Gorris); “Álbum de Familia” (Jonh Wells); “Cinzas e Sangue” (Fanny Ardant); “Questão de Tempo” (Richard Curtis), “Uma família em Apuros” (Andy Fickman); e “Eles Não usam Black Tie” (Leon Hirszman) são algumas das referências. Todos eles filmes de sucesso, em épocas distintas, que convergem, diante das suas especificidades, para o mesmo tema central: a Família. Cito alguns que me serviram como referência e demonstram o potencial de comunicabilidade que obras dessa natureza desenvolveram ao longo da história do cinema mundial. A família é tema central, em um universo que trafega do drama até a comédia.

Afinal, família é um bem universal. É onde se começa a formação civilizatória – e por que não? – revolucionária. O que seria de Glauber Rocha sem a presença de Dona Lúcia Rocha (grande matriarca!) na sua vida?

A revolução nasce nas famílias.

É onde a educação e o respeito pelo próximo se estabelece para a vida em sociedade. E se esse clã não se constitui no respeito, não haverá respeito ao próximo. Porém, toda família tem seus próprios conflitos e códigos de convivências. Toda família tem seus segredos. E o filme pergunta: E a sua? Tem segredos?

Um filme que pretende refletir o Brasil profundamente a partir da formação da família brasileira, construída pelos descendentes dos negros africanos, índios, portugueses e por todos os povos que aqui vieram em busca do sustento das suas famílias por motivos dos mais diversos e oriundos de todos os continentes desse planeta.

Um filme para a família.

A Bahia hoje tem no seu mercado audiovisual profissionais aptos tecnicamente para desempenhar funções na produção de um longa-metragem, e nós iremos nos alimentar deste potencial. Decidimos agregar também um diretor de fotografia italiano, Alberto Iannuzzi radicado na Bahia com longa experiência cinematográfica internacional, fortalecendo assim o potencial network com o continente europeu.

Outros importantes profissionais já colaboram com o projeto. A minha amiga e talentosa roteirista Manuela Dias escreveu o argumento a partir do insight original que apresentei. E meu amigo, parceiro no cinema, João Rodrigo Mattos, desenvolveu o roteiro a partir de um consistente diálogo com Manuela Dias e com a minha pessoa. Outros profissionais chegarão juntos, e se agregarão a esse ambiente afetivo e profissional, fundamental para uma produção que almeja o sucesso. O bom ambiente e a convivência são peças-chaves para a intensidade e disciplina que um set de filmagem exige.

O elenco já convidado e que aceitou fazer o filme conta com talentos do cinema brasileiro e baiano: José Dumont; Jackyson Costa; Marcélia Cartaxo, Mariene de Castro, Ana Paula Bouzas , Ana Lu Tavares, entre outros que estão por vir. Oxalá permita que, quando o filme for realizado, esses atores estejam disponíveis.

Gostaria de destacar também a participação da atriz e cantora Laila Garin , que nos presenteou com um apaixonado depoimento:

“Eu aceitei o convite para participar deste filme, porque o roteiro é belíssimo e também por saber que é uma produção da Bahia e na Bahia. Acho importante que a Bahia esteja produzindo coisas para o Cinema Brasileiro. O tema também diz respeito a todos nós, o tema da família, das relações familiares, a volta, o retorno às nossas origens, ao lugar de onde veio e as relações que por mais particulares que elas sejam, elas são universais e tocam todo mundo, acho que tem potencial de tocar muita gente. Estou louca pra começar!”, afirmou.

Obrigado, Laila e todos os atores que acreditaram no projeto!

Uma celebração ao amor e a memória dos nossos antepassados.

O filme também traz uma personagem francesa, potencializando parcerias e co-produções com o exterior (França). Mas, podemos enxergar esse fato como algo potencial em relação a outros mercados na Europa, uma vez que a importância do personagem é a origem europeia.

Esse é mais um projeto da DocDoma Filmes, produtora a que tenho orgulho de ter colaborado com a sua construção, e que está consolidada há doze anos no mercado de conteúdo audiovisual, sempre com alta qualidade técnica e artística.

Foi com esses argumentos, que convencemos ao Governo Brasileiro a apostar e financiar esse projeto: mostrando o seu caráter universal e de forte potencial comercial. Não vislumbro facilidades mercadológicas. Sabemos o cenário que estamos atuando e produzindo cinema brasileiro. Mas, como não acreditar e sonhar? E, principalmente, trabalhar para o sucesso do projeto.

O verdadeiro artista não está em busca da fama, mas do reconhecimento do seu trabalho, da sua Arte. Ele quer dizer algo que toque a sensibilidade das pessoas e as transforme. Ou ainda que no mínimo, as façam refletir para a construção de um mundo mais humano.

Essa é a Arte que desejo realizar: um Cinema transformador de espírito e de almas. Essa é a minha revolução!

 

 

Um Comentário...

  1. Frederico Almeida disse:

    Muito bom, Lula!! Desde já, emanando vibrações positivas!!!

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