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Salvador sempre esteve nas mãos dos que tiveram o domínio do mar. Nas guerras holandesas, na Independência, na Sabinada mais tarde, para a cidade ponto decisivo foi perder ou manter as águas da baía, que outro acesso não havia, tão precárias ou inexistentes eram as vias terrestres.

         Dependendo assim da navegação para o transporte, e, em escala menor, para a pesca também, viu o Recôncavo desenvolver-se uma multiplicidade de tipos navais, alguns dos quais se extinguiram com o tempo, enquanto outros sobrevivem até hoje. Com estes, mantem-se vivas técnicas e formas que, por suas origens, se vão ligar ao patrimônio cultural das etnias que numa época ou outra povoaram o litoral.

Pedro Agostinho

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A MORTE DAS VELAS DO RECÔNCAVO

documentário – 16mm, COR, 23min, 1976  

Direção e roteiro – Guido Araujo,
Direção de fotografia – Thomaz Farkas
Som direto – Timo Andrade
Montagem – Peter Pryzgodda
Direção de arte – Chico Liberato

 

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Uma paisagem típica da Bahia, que faz a sua singularidade e encanto, ameaçados de desaparecimento: saveiros com suas velas soltas ou amarradas ao mastro, reunidos na rampa do antigo Mercado Modelo, no portinho da Barra, no cais de São Joaquim e na Ribeira, ou espalhados pelas praias e costas do Recôncavo baiano.

Tendo como origem as naus e caravelas portuguesas do século XVI, os saveiros e outras características embarcações a vela da Bahia de Todos os Santos, sempre constituíram destacados componentes plásticos ou estéticos do paisagismo baiano, além de desempenharem uma importante função econômica, trazendo das vilas e cidades do Recôncavo o peixe, as frutas e verduras necessárias ao abastecimento das feiras da capital. De Salvador, levavam os secos e molhados, os gêneros da primeira necessidade para os armazéns de suas comunidades de origem.

Hoje, a competição crescente do transporte rodoviário, favorecido pela abertura e asfaltamento de estradas e o desaparecimento das grandes feiras livres de Salvador, estão minando o motivo econômico que justificava a existência das embarcações que fazem o transporte de cargas no interior da baía.

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O filme, que até certo ponto tem um caráter etnográfico, na medida em que analisa os diferentes tipos das atuais embarcações a vela do Recôncavo e seus antecedentes, procura também, partindo da atual decadência do saveiro (a mais típica das embarcações baianas) fazer uma abordagem sócio-econômica do problema.

Denunciando a degradação do saveiro, provocada por aqueles que apressam a sua morte, retirando-os do ancoradouro que lhe é peculiar, a fim de transformá-los em escunas de grã-fino, o filme valoriza esse tipo regional de embarcação popular, exclusivo de nossas águas interiores.

Apesar de já escassearem na violentada paisagem baiana, os saveiros ainda não são inúteis e conservam um pouco da sua função econômica. Daí a importância de documentá-los e deste modo talvez contribuir para sua preservação como uma das mais belas peculiaridades da Bahia.

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7 Comentários...

  1. daniel disse:

    Como faço para assistir este filme?

  2. […] A MORTE DAS VELAS DO RECÔNCAVO 23 min | cor | 1976     Veja mais em A Morte das Velas do Recôncavo […]

  3. […] MORTE DAS VELAS DO RECÔNCAVO 23 min | cor | 1975     Veja mais em A Morte das Velas do Recôncavo  e  A Trilogia de Guido […]

  4. […] Enquanto avançava na realização da FEIRA DA BANANA, via crescer ante os meus olhos e na minha imaginação um terceiro filme que iria fechar o ciclo daquele mundo que compunha os saveiros, os saveiristas, os estaleiros e todo o universo mercantil que havia dominado até então a paradisíaca paisagem da Baía de Todos os Santos. Encerrando a trilogia, surgiu então A MORTE DAS VELAS DO RECÔNCAVO. […]

  5. João Rodrigo disse:

    Certo dia estava nos arquivos do IRDEB pesquisando imagens e ao ver os primeiros planos deste filme do Guido, surgiu em BG uma voz que me soou familiar.
    Era o depoimento do Pedrão, meu pai, na altura com 40 anos.
    Nunca tinha visto uma imagem em movimento do meu pai aos 40 anos de idade.
    Hoje tenho 40 anos. E faço filmes muito por causa dele.
    Essa foto do Pedrão junto com o Guido é muito tocante e o trabalho das Velas, belíssimo.
    Evoé, grandes caras.

  6. Arivaldo Assis disse:

    Meu pai , fez parte desta época eu bem pequeno ja levava mercadoria pra o Caija pra ser transportada pra Salvador

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