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por Tuzé de Abreu

 

Um músico baiano importante e pouco lembrado, é, foi (porque já faleceu), Alcyvando Luz. Violonista, contrabaixista, trompetista, compositor, arranjador. João Gilberto, que gravou a canção de Alcyvando com Carlos Coqueijo, É Preciso Perdoar, coloca-o entre os melhores violonistas que conheceu. A originalidade harmônica de Alcyvando era acima da média. Acompanhou Gil, Caetano, Bethânia, Gal e Tom Zé nos seus primeiros shows, foi membro da orquestra sinfônica da UFBA, depois tornou-se seu técnico de gravação. Houve um tempo em que tudo da OSUFBA era gravado, inclusive alguns ensaios. Infelizmente estas fitas, e muitas outras coisas, foram perdidas numa inundação que houve no porão onde elas estavam.
Toquei muitas vezes com Alcyvando, “Nego Véio”, como era conhecido, inclusive num dos seus discos. O companheiro inseparável dele era Djalma Correia, baterista, percussionista e técnico de som também. Djalma fez parte da banda dos Doces Bárbaros, ao lado de Mônica Millet, Chiquinho Azevedo, Perinho Santana, Arnaldo Brandão, Mauro Senise e de mim.
Até onde sei, o primeiro show solo de Fafá de Belém fora do Pará foi aqui no ICBA,que ainda não tinha teatro. Foi feito na sala de entrada, onde hoje rolam exposições visuais. Produção de Roberto Santana. Direção musical de Alcyvando, que também tocava violão. Na percussão Djalma, no contrabaixo Franklin e eu na flauta.
Para homenagear a Bahia, Fafá cantava Baixa dos Sapateiros começando com Ô, Bahia aia… Alcyvando enganou-se na hora de tocar, e entrou em tonalidade acima da ensaiada. Fafá pegou a nota “lá em cima”, num registro difícil e desconfortável pra ela. Franklin e eu, pouco experientes, não conseguimos “pegar o novo tom”. Então ficaram apenas Fafá, Alcyvando e Djalma.
Alcyvando ficou tão chateado, que na saída bateu o carro num pilar do ICBA (o estacionamento era em cima).

Acontece com os melhores músicos…

 

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