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Gabriel Carneiro entrevista André Luiz Oliveira

publicação original na Revista Zingu!

 

Gabriel Carneiro – Como surgiu seu interesse pelo cinema?

André Luiz Oliveira – Não sei. Acho que foi uma conspiração do Destino. Um cruzamento de duas realidades, uma objetiva externa e outra subjetiva interna. A objetiva foi que lá pelos 14 anos encontrei uma câmera de filmar Pahiallard Bolex 16mm dentro do guarda roupas do meu pai – ele a recebera de uma dívida de um italiano comerciante de madeira. Comecei a filmar coisas em casa, como a família na praia e o desfile da minha irmã nas olimpíadas – os únicos takes que me lembro fazer. Daí para fazer meu primeiro curta-metragem foi mais fácil e isso aconteceu aos 19 anos. Do ponto de vista subjetivo, é que eu tinha muita dificuldade em me adaptar à realidade objetiva do mundo: estudar, compromisso social de família, certos comportamentos típicos da idade, etc. Para fugir disso, vivia dentro do cinema. Eu era um sonhador inveterado e para dar vazão aos meus delírios, vivia escrevendo poesias e sonhava em fazer alguma coisa fora do mundo real. Acho que o meu interesse maior pelo cinema veio daí, da necessidade de fugir da realidade grosseira que me agredia com suas regras, padrões e hipocrisias.

Gabriel Carneiro – E o que te levou de fato a fazer filmes?

André Luiz Oliveira – Comecei a fotografar por influência e orientação do fotógrafo Vito Diniz, a revelar e ampliar as próprias fotografias em casa, até que entrei num curso de cinema do professor Walter da Silveira e Guido Araújo. Conheci então o José Umberto Dias, que já tinha feito um curta-metragem chamado Preâmbulo e que eu tinha gostado muito. Convidei-o para fazermos um filme [Doce Amargo]. Começamos a costurar uma história de um vendedor de pirulitos de rua. Chamamos um amigo para fazer o papel principal, consegui o dinheiro para a película com meu pai, fiz rifa, vendi objetos pessoais, fiz a fotografia, fomos para o Rio de Janeiro, montamos o filme, o inscrevemos no Festival de Cinema JB Mesbla e ganhamos o prêmio de Melhor Documentário. Aí então não tinha mais volta, abandonei a Faculdade de Ciências Econômicas [na UFBA] no segundo ano e me entreguei a escrever o roteiro de um primeiro longa-metragem que seria Meteorango Kid, o Herói Intergalático.

Gabriel Carneiro – Você assistia aos filmes baianos do Ciclo de Cinema Baiano, do Roberto Pires, do Glauber Rocha?

André Luiz Oliveira – Assisti a Deus e o Diabo na Terra do Sol que não me pegou tanto quanto Terra em Transe. Este, sim, balançou-me e certamente me fez aspirar um dia fazer cinema. Os filmes do Roberto Pires só vim a assistir muitos anos depois, já morando no Rio de Janeiro. Apesar de não ter me tocado fortemente por nenhum dos seus filmes, gostava de quase todos. Ele era um bom artesão do cinema, tinha um estilo acadêmico, muito honesto com o que queria dizer e um respeito enorme pelo o público. Roberto é pouco reconhecido, mas o considero um cineasta muito importante para a cinematografia baiana.

Gabriel Carneiro – O que você assistia então nos anos 60?

André Luiz Oliveira – Os anos sessenta são compridos: como sou de 1948, eu teria entre 12 e 22 anos, portanto, te digo que assistia a todo tipo de filme. Quando era muito garoto, gostava, especialmente, de filmes de aventuras, principalmente os de “cowboys” de quinta categoria. Os filmes marcantes que ficaram na memória até hoje e com que, de certa forma, identifiquei na minha curta filmografia sinais dessa memória foram, em primeiro lugar, Ulisses [1954, dir.: Mario Camerini] – um filme que assisti aos doze anos de idade e que curiosamente assistindo a A Lenda de Ubirajara, identifiquei cenas muito perecidas e uma mesma emoção -, Duelo de Titãs, Scaramuche, Os Brutos Também Amam, Matar ou Morrer, e muitos outros, quase sempre filmes classe B de diretores desconhecidos. A partir dos 14, 15 anos, comecei a me interessar muito por filmes que tinham mulheres bonitas, pernas e peitos à mostra. A fase da masturbação no cinema. Eram filmes com Sophia Loren, Marilyn Monroe, Brigitte Bardot, Silvana Mangano, Claudia Cardinale, Mylène Demongeot, Pascale Petit, cujos títulos e diretores interessavam bem menos do que as protagonistas. Na fase dos 17, 18, eu comecei a assistir a filmes de arte projetados pelo professor Walter da Silveira, em sessões matinais no cine Guarani, na Bahia. Foi aí que conheci os filmes classe A, os filmes do Luis Buñuel, do Jean-Luc Godard, do Federico Fellini, do Andrzej Wajda, do Roberto Rossellini, do John Ford, do Orson Welles, e de muitos outros – todos esses filmes que mais tarde se tornariam os clássicos da história do cinema. Nessa fase, assistia a todos os filmes brasileiros sem distinguir direito o que gostava ou não, sem critérios estéticos ou outro interesse, assistia porque era viciado em cinema. O filme brasileiro que mais me marcou foi Terra em Transe.

Gabriel Carneiro – Como era fazer cinema na Bahia dos anos 60?

André Luiz Oliveira – Os cineastas que haviam feito algum filme já estavam no Rio de Janeiro. Nós éramos alguns poucos jovens fisgados pelo cinema ainda sem saber direito o que fazer da vida. Havia o curso livre de cinema dos professores Walter da Silveira e Guido Araújo, na Universidade Federal da Bahia, e freqüentávamos as aulas e sessões. Isso era fazer cinema? Não, mas foi um começo para mim.

Gabriel Carneiro –  Você já conhecia o Alvinho Guimarães antes de começar a fazer cinema?

André Luiz Oliveira – Sim, de vista e de nome. Alvinho era um dos mais agitados diretores de teatro da cidade. Conheci Alvinho superficialmente, mas gostávamos um do outro. Tínhamos vontade de sermos amigos, demonstrávamos essa simpatia com efusividade, mas nunca tivemos oportunidades de estar mais que meia hora em cada ocasião que nos encontramos, portanto não chegamos a ser amigos. Eu, mais jovem, admirava seu trabalho no teatro e o via como alguém importante nas artes da cidade. Ele, por sua vez, sendo um rebelde por natureza, me olhava também com admiração por Meteorango Kid. Nunca falamos sobre cinema.

Gabriel Carneiro –  Como conheceu o José Umberto?

André Luiz Oliveira – No curso de cinema do professor Walter da Silveira e Guido Araújo. Gostei do filme dele, Preâmbulo, e o chamei para fazermos um filme, que veio a ser Doce Amargo. Tivemos um problema na época de Doce Amargo [André Luiz, segundo seu livro, inscreveu Doce Amargo no Festival JB Mesbla como sendo só dele] e ficamos mais de duas décadas magoados sem falar um com o outro e sem nos vermos. Essa coisa de não encontrar os amigos foi uma marca na minha vida porque sempre me isolei demais. Depois que fiz Louco por Cinema, na maturidade, trocamos e-mails duros, nostálgicos, amigáveis e reatamos relações cordiais. Quando nos conhecemos, eu era muito jovem, não tinha tempo, paciência, minha vida corria perigo e eu tinha que me adiantar. Não tínhamos mais assunto, nem profissional, nem existencial, e a relação de amizade momentânea adormeceu. Isso não quer dizer que não poderemos um dia reatar com a criatividade da época de Doce Amargo.

Gabriel Carneiro –  E o Vito Diniz?

André Luiz Oliveira – Conheci Vito Diniz quando tinha mais ou menos 17 anos. Ele havia acabado de chegar da Itália, onde vivera por 10 anos como fotógrafo profissional e estava com dificuldade de se readaptar no Brasil, mais ainda à Bahia. Foi uma amizade imediata. Dez anos mais velho que eu, Vito era generoso e me ensinou tudo relacionado à fotografia e cinema, sobretudo uma forma diferente de olhar. Fiz assistência de câmera e fotografia para ele em algumas viagens pelo interior da Bahia e, a partir dessas experiências, fiz a fotografia de Doce Amargo. Vito também foi fundamental para a realização de Meteorango Kid, dando a ele uma qualidade técnica fotográfica essencial.

Gabriel Carneiro – Como surgiu a idéia de filmar Meteorango Kid?

André Luiz Oliveira – Encorajado pelo prêmio de Melhor Documentário no Festival JB Mesbla no Rio de Janeiro com o curta Doce Amargo, meu e de José Umberto, abandonei a Faculdade de Ciências Econômicas e decidi me dedicar inteiramente ao cinema. Pensava em fazer mais um curta-metragem – até cheguei a escrever o roteiro e começar a pré-produção, desta vez com uma câmera 35mm. Acontece que nesse final de ano veio uma onda de mudanças na conjuntura internacional e nacional, culminando com o AI-5. Na minha vida também aconteceram mudanças radicais. Foi quando tive a minha iniciação nas substâncias alucinógenas e o início de uma ruptura com as estruturas familiares, sociais, políticas, culturais que na época chamávamos de “caretas”. Foi na onda desse “verão alucinado” de 1968/69 que escrevi o roteiro de O Mais cruel dos dias que depois veio se chamar Meteorango Kid, O Herói Intergalático. O filme foi a conseqüência desse momento turbulento que vivia.

Gabriel Carneiro – Por que esse título?

André Luiz Oliveira – O filme teve vários nomes e até o momento de fazer a cópia final na Líder Cinematográfica no Rio de Janeiro eu ainda não havia me decidido qual título colocar, nada me agradava. Foi quando lembrei de uma música de um amigo da Bahia, chamado Tuzé de Abreu. Era um grande amigo e eu o admirava. Ele cantava essa música com muita verve e ferocidade: “Meteorango Kid, que decidiu, viver a vida que Deus lhe deu, Meteorango hoje sou eu… hoje sou eu”. A música terminava assim e chamava-se Meteorango Kid, o Herói Intergalático e tinha tudo a ver com o que estávamos vivendo e com o filme. Naquele instante, eu percebi que havia descoberto a metáfora ideal, matado a charada do personagem do filme que éramos todos nós, a geração inteira, e coloquei o nome no filme de Meteorango Kid. Uma irresponsabilidade juvenil, porque o autor poderia não ter concordado e eu teria tido problemas, mas não foi o caso – tanto que Tuzé foi o responsável pela trilha sonora de meu segundo longa, A Lenda de Ubirajara. Tudo que usei no filme de trilha sonora, por exemplo, não tinha permissão alguma. Naquela época, o sentimento geral de fazer um filme daquele era como a execução de uma ação terrorista. Um gesto de rebeldia absolutamente contra o sistema e não havia tempo nem espaço para esse tipo de pudor – o mundo velho estava explodindo e as nossas cabeças também.

Gabriel Carneiro – Como era a efervescência cultural na Salvador dos anos 60?

André Luiz Oliveira – Nunca fui de andar em turma, sempre fui muito isolado, mesmo quando estava em grupo filmando, portanto não sei direito o que estava rolando na cidade, somente posso falar do que estava acontecendo comigo. Como disse acima, eu estava vivendo uma mudança radical de paradigma na minha vida. Sabia que estava entrando em uma zona perigosa relacionada à quebra de tabus familiares, sociais, políticos; mergulhando numa região que de início era muito divertida e colorida, mas aos poucos foi ficando demasiadamente sombria e assustadora. Eu intuía que a coisa podia piorar como piorou, mas eu já havia mergulhado e tinha que seguir nadando. Tanto que o filme é carregado desse tom divertido, esculhambado, agressivo e melancólico. Acho que a cidade estava vivendo a mesma coisa.

Gabriel Carneiro –  Meteorango Kid é um exemplo da contracultura no Brasil. Quais foram as suas principais influências para realizar o longa?

André Luiz Oliveira – Revendo com o distanciamento de 4 décadas, vejo claramente que a maior influência que tive foi do Tropicalismo. Embora não assumisse que era um tropicalista, porque isso nunca me passou pela cabeça, eu agia como se o fosse. Interpretei à minha maneira e incorporei os valores que os tropicalistas da geração anterior professavam, sobretudo os ditados pelos seus principais criadores e representantes Caetano e Gil. Toda a transformação pessoal que estava vivendo era alimentada pelas palavras de ordem tropicalista e Meteorango está cheio dessas influências. Oiticica: “seja marginal, seja herói”; Caetano: “Derrubar as prateleiras, as estátuas, as estantes, louças, livros, sim”; Gil: “Zeca meu pai comprou um wolkswagem blue”; Sganzerla: “…quando a gente não pode fazer nada, a gente avacalha e se esculhamba”; Rogério Duarte: “…e línguas como que de fogo tornaram-se visíveis e se distribuíram sobre cada um e todos ficaram cheios de Espírito Santo”.

Gabriel Carneiro – Como a ditadura afetou a realização do seu longa?

André Luiz Oliveira – A realização propriamente dita não afetou em nada. Fiz o filme com toda liberdade. A ditadura afetou na medida em que o filme estava impregnado do clima de opressão e revolta contra ela. O filme se configurou como uma reação consciente e inconsciente à opressão que ela impunha a todos nós.

Gabriel Carneiro – Por que chamar os Novos Baianos para fazerem a trilha?

André Luiz Oliveira – Os Novos Baianos como grupo ainda não existia, ou para ser mais claro, nessa época, 1968/69, os novos baianos éramos todos nós, geração pós Caetano/Gil. O grupo musical nasceu dessa efervescência, esculhambação e revolta, no rastro do tropicalismo. Chamá-los era o gesto mais natural, pois além de estarmos na mesma onda, éramos amigos. Pepeu Gomes, com 14 anos, fez uma ponta em Meteorango.

Gabriel Carneiro – Como você conheceu os integrantes dos Novos Baianos?

André Luiz Oliveira – O grupo musical profissional surgiu depois no Rio de Janeiro. Eu sempre conheci Paulinho Boca, desde a adolescência. Moraes Moreira foi levado na minha casa por Lula Martins (ator de Meteorango). Não lembro quem levou Pepeu para fazer uma ponta em Meteorango. Baby Consuelo era uma menina de uns 13 anos que havia chegado do Rio de Janeiro, não lembro direito se foi Seu Wagner (ator de Meteorango) ou se foi uma ex-namorada chamada Ediane que me apresentou a ela em Campo Grande. Quem era mais meu amigo era Gato Felix.

Gabriel Carneiro – O que você quis dizer ao filmar Meteorango Kid?

André Luiz Oliveira – Não queria dizer nada ao mesmo tempo queria dizer tudo. Isto é uma forma de dizer que eu não sabia direito o que estava fazendo, ao mesmo tempo em que sabia muito bem. A única certeza que eu tinha é de querer expressar tudo o que estava sentindo e vendo ao meu redor – e foi isso que aconteceu. O filme é uma catarse, reflexo das minhas inquietações e angústias pessoais e da minha geração.

Gabriel Carneiro – Como conheceu o Márcio Curi?

André Luiz Oliveira – Marcio Curi apareceu na Bahia – ele é de Niterói – nesse verão alucinado de 1968/69, ao qual já me referi. Ele já havia morado na Bahia e fora meu contemporâneo no ginásio do Colégio Militar, mas eu não o conhecia. Nessa altura, quando o reencontrei, eu já estava querendo fazer o primeiro longa e ele se apresentava como produtor do Rio de Janeiro. Quando acabei de escrever o roteiro de Meteorango, o procurei, não lembro onde. Ele foi a única pessoa a acreditar que aquele roteiro poderia virar filme. Sem Marcio Curi dificilmente o filme teria sido realizado, porque eu não sabia como fazer. Ninguém conseguia ler o roteiro sem fazer cara feia, muito menos aceitar qualquer tipo de envolvimento com ele. Não havia ninguém na Bahia que tivesse coragem de assumir a produção de um filme com um roteiro tão desconcertante e, ainda por cima, dirigido por um estreante sem a menor experiência. Mas ele assumiu e levou a tarefa até o final. No Rio de Janeiro, foi ele quem comprou os negativos, arrumou lugar para montar o filme, contratou estúdio para dublar e colocar trilha, laboratório para o processamento, enfim, tudo que eu nunca havia feito e não tinha a menor idéia de como faria.

Gabriel Carneiro – Como foi trabalhar com o Antonio Luiz Martins, com o Caveirinha e com o Milton Gaúcho?

André Luiz Oliveira – Milton Gaúcho era um ator consagrado na Bahia e um amigo de meu pai; não tínhamos nenhum contato mais próximo além do filme. Lula Martins era o próprio Lula Meteorango. Ele era o cara que eu precisava para o filme. Ele percebeu isso e não teve dificuldade em fazer muito bem esse papel. Durante o filme nos tornamos muito amigos e somos até hoje. Manuel Costa Junior, Caveirinha, foi aquele talento explosivo revelado em Meteorango. Um grande amigo, que além da amizade, acompanhou-me no segundo filme, A Lenda de Ubirajara, como assistente de direção.

Gabriel Carneiro – Você concorda com as falas do Milton Gaúcho no filme? Como se faz dinheiro em cinema?

André Luiz Oliveira – Essas falas têm 40 anos, mas ainda fazem algum sentido. A fala dele pode ser considerada uma metáfora de que filmes miura, como eram chamados os filmes intelectualizados e difíceis de público da época, não tinham como concorrer com os filmes de ação feitos na Boca do Lixo.

Gabriel Carneiro – Você gosta das produções da Boca do Lixo?

André Luiz Oliveira – Algumas. Vi poucos filmes produzidos na Boca do Lixo de São Paulo. Assisti e gostava muito dos filmes do Ozualdo Candeias e de alguns filmes do José Mojica Marins. Nunca me interessei pelas outras produções. Não gostava das pornochanchadas que começaram a serem produzidas em alta escala por lá.

Gabriel Carneiro – O filme surge do grito de avacalho de O Bandido da Luz vermelha? Por que carregar essa bandeira?

André Luiz Oliveira – O filme está muito longe de surgir desse grito. Ele é muito maior do que isso. Não carrego porra de bandeira nenhuma. A citação do Bandido é fortuita, pontual e carinhosa com o Sganzerla, que eu admirava. Só isso. A avacalhação estava já no espírito tropicalista e era uma palavra de ordem da época, da minha geração na Bahia. O Bandido da Luz Vermelha explicitou-a no cinema e isso foi um estímulo a mais. O grito que você se refere pode ser do meu testículo apertado, agoniado, revoltado.

Gabriel Carneiro – O que você acha do rótulo Cinema Marginal? Prefere outro termo?

André Luiz Oliveira – Não gosto desse, nem de rótulos. Se for inevitável algum nessa sociedade capitalista publicitária, prefiro Cinema Atormentado. Cinema Marginal é o cinema brasileiro, com raras exceções. Cinema Atormentado é a cara desses filmes mesmo quando são engraçados e esculhambados. Existe uma dor imensa no esculacho de cada um deles, causada pela fragmentação individual, pela impotência, pela revolta, pela marginalidade social, pelo rompimento dos limites em todos os sentidos.

Gabriel Carneiro – Você nunca pensou em ser cineasta de carreira?

André Luiz Oliveira – Não gosto de rótulos. Aprisiona as pessoas.

Gabriel Carneiro Por que resolveu filmar uma obra de José Alencar?

André Luiz Oliveira – Porque ele é louco, é rejeitado pela elite cultural brasileira, porque gostei do seu texto, porque vi nos seus livros algo profundamente popular, porque ele fala metaforicamente de arquétipos coletivos relacionados à origem da raça brasileira, porque fiz uma viagem ao Amazonas de carro em 1971, porque queria fazer algo diferente do que esperavam de mim, porque queria fazer algo diferente para mim mesmo.

Gabriel Carneiro – Por que o interesse especial pelas raízes brasileira?

André Luiz Oliveira – Depois de Meteorango e as conseqüências da vida que estava levando, eu precisava aterrissar, precisava de chão, de raiz. Eu estava inteiramente envolvido com o consumo de drogas e sentia necessidade de parar para preservar a minha vida. Precisava me afastar do Rio de Janeiro, onde morava, e as filmagens de Ubirajara no Rio Araguaia, em Goiás, me ajudaram nesse sentido. Eu era um sobrevivente do apocalipse e fazer este filme no interior do Brasil me propiciava um reencontro comigo mesmo, com a natureza, com o índio, com minhas crenças, com tudo isso.

Gabriel Carneiro – Como nasceu a idéia de filmar A lenda de Ubirajra?

André Luiz Oliveira – Nasceu de uma viagem de carro que fiz com meu pai para o Amazonas em 1971. A viagem foi uma estratégia do meu pai para nos reaproximarmos, após sérios conflitos e impossibilidade de comunicação – afinal eu estava mergulhado em drogas. A primeira e mais importante coisa que aconteceu foi a nossa reconciliação. Isto quer dizer que integrei partes fragmentadas de mim mesmo e tive a chance de começar uma nova etapa de vida, mais maduro, mais apaziguado interiormente. Outra coisa foi vivenciar “in loco” a exuberância da floresta amazônica e sentir a importância vital e curativa da natureza. Descobri uma parte de mim e do Brasil até então desconhecidas, eu que combatia o Brasil grande (dos militares) e as relações familiares ‘esquizofrenizadas’ pela sociedade. Foi um momento de reencontro pai e filho, homem e natureza, vitais naquele momento.

Gabriel Carneiro – Por que filmar usando a língua indígena? Quais as dificuldades disso?

André Luiz Oliveira – Era mais verdadeiro. Foi uma sugestão de um cineasta latino-americano radicado no Brasil desde sempre chamado Lionel Luccini. A filmagem em língua Macro-Gê Karajá foi o de menos. Tudo foi difícil em A Lenda de Ubirajara. Não houve preparação nenhuma, além de na época não haver pessoas especializadas como temos nos filmes de hoje, eu apenas instruía o que eu queria e saia filmando na intuição. Era tudo muito precário, porém repleto de criatividade e magia.

Gabriel Carneiro – Quais as diferenças de um filme financiado pelo seu pai e um pela Embrafilme?

André Luiz Oliveira – Nenhuma.

Gabriel Carneiro – Por que passou 19 anos sem filmar um longa?

André Luiz Oliveira – Foram muitos os motivos e estão sendo enumerados, em detalhe, no meu próximo livro, Sagrado Segredo, ainda sem previsão de publicação, pois estou sem tempo para terminá-lo – escrevi 70% e a cada dia aumenta mais. Não queria mais ser cineasta, queria mudar, mudar de vida, de rótulo, de profissão, me libertar, buscar novos horizontes. Porque meus esforços não foram suficientes para produzir novas oportunidades de realização de filmes, ou seja, eu já não estava me empenhando com a energia necessária. Porque eu queria me conhecer melhor, me ver em outras atividades, desenvolver outros talentos como a música, por exemplo. Porque me dediquei com grande intensidade à educação da minha filha e não sobrava tempo para projetos cinematográficos, que são muito absorventes. Enfim, porque estava conectado com uma escola de autoconhecimento e desenvolvimento espiritual que descobri ser muito mais importante do que filmes e outras atividades do gênero.

Gabriel Carneiro – Por que o espiritual tem grande importância a você?

André Luiz Oliveira – Poderia lhe explicar de vários pontos de vista e a partir de níveis de consciência diferenciados. Mas levaria muito tempo, todo o livro Sagrado Segredo é para falar exatamente disso. Então, a sua pergunta vai estar respondida na íntegra e disponível no lançamento do livro.

Gabriel Carneiro – Você manteve contato com essas pessoas de cinema próximas a você após seu afastamento da área?

André Luiz Oliveira – Não mantive contato com nenhuma dessas pessoas, nem com nenhum cineasta durante o meu prolongado afastamento. A maioria dos novos baianos eu não vi mais, até hoje. Quando, por sobrevivência, estive dirigindo comercias para TV na década de oitenta, reencontrei um grande amigo dessa época, o diretor de fotografia Luiz Carlos Saldanha, e daí em diante passamos a trabalhar juntos nesses comerciais. Outro que também mantive contato na década de oitenta e mantenho até hoje é o montador de todos os meus filmes, com exceção de Meteorango, Amauri Alves.

Gabriel Carneiro – Por que mudou para o vídeo no meio dos anos 80?

André Luiz Oliveira – Não mudei nada, fiz o Louco por Cinema na década de 90 em 35mm. O que aconteceu foi que achei e acho muito chato batalhar grana para fazer filmes. O vídeo é mais prático, barato e imediato. Nunca freqüentei festivais com curtas-metragem, nem com vídeos – os fazia para não perder o contato definitivo com a criação da imagem, ou porque estava envolvido, ou apaixonado por um assunto e a seqüência lógica era fazer algo em imagem. Dia de Iemanjá, por exemplo, foi feito pela paixão e pela necessidade de estar próximo da cultura afro-baiana; Astrologia, pela paixão pela astrologia, assim como Yoga para principiantes foi pela paixão pela yoga. Antena da Raça foi a paixão por Fernando Pessoa, e assim por diante.

Gabriel Carneiro – O cinema sempre foi secundário para você?

André Luiz Oliveira – No início não, era uma prioridade compulsória. Mas quando descobri que desejava desenvolver outras atividades, comecei a desmobilizar esse sujeito. Hoje não o priorizo, mas ele está sempre presente.

Gabriel Carneiro – Como você entrou para a Casa de Imagens?

André Luiz Oliveira – Entrei na Casa de Imagens convidado pelo Carlão Reichenbach. A minha participação foi igual a de todos os componentes – Júlio Calasso, Inácio Araujo, Guilherme de Almeida Prado, Andrea Tonacci, Carlão e eu. Fizemos um projeto juntos, que era de uma idéia original do Carlão de fazer seis longas-metragens seguidos, quase com a mesma equipe, cada um fazendo uma função no filme do outro. Essa simultaneidade baratearia a produção e poderia viabilizar os filmes num momento em que a produção brasileira estava parada. Escrevemos o projeto e aprovamos na Embrafilme. Cada um escreveu três argumentos, e, no nosso projeto, entre os 18 argumentos um seria escolhido para ser filmado. Todos entramos no edital da Secretaria de Cultura de SP – Primeiro Projeto de Cinema Paulista. Escrevi o roteiro de uma história minha chamada A Alma que tirou o corpo fora. Eu e o Guilherme conseguimos ganhar o edital. A idéia da Casa de Imagens, leia-se de Carlão, era ótima, mas infelizmente no nosso grupo só tinha realizadores e ninguém de produção, e a coisa desandou e tivemos que fechar as portas. Foi uma vida curta que rendeu duras experiências e solidificou boas amizades.

Gabriel Carneiro – Por que não filmou A Alma que tirou o corpo fora?

André Luiz Oliveira – Não filmei devido ao fechamento da Embrafilme. Quando acabou a Embrafilme, acabou o convênio com o Governo Paulista, através do qual eu tinha ganhado um concurso de roteiro para fazer o filme. Não filmei porque o filme era um pouco caro e o dinheiro não era suficiente, mas com parte desse dinheiro filmei Louco por Cinema em Brasília, que era mais barato.

Gabriel Carneiro – O que te levou a Brasília? Fixar residência lá?

André Luiz Oliveira – Um dos motivos foi o desencanto com a vida urbana das grandes cidades como São Paulo, onde vivia – moro numa chácara a 20 km do Plano Piloto. Outro motivo foi a percepção profunda de que tenho necessidade de uma vida contemplativa e silenciosa. É assim que me sinto feliz e criativo. Sem falar nas qualidades do ar e da natureza. Em Brasília, encontrei o lugar ideal para viver.

Gabriel Carneiro – Como nasceu Louco por Cinema?

André Luiz Oliveira – Poeticamente, eu diria que o filme nasceu de uma reflexão “bem humorada” sobre a longa estadia exilado da vida no cinema. E também da necessidade de expressar uma experiência vital acontecida comigo na década de setenta. A principal delas foi a minha prisão por porte de maconha em 1973, no Rio de Janeiro, e a condenação a um ano de cadeia. Cumpri quatro meses, sendo que os dois últimos em um manicômio judiciário. Essa foi, talvez, a mais difícil e transformadora experiência da minha vida.

Gabriel Carneiro – No filme, o personagem Lula seria o mesmo Lula de Meteorango Kid?

André Luiz Oliveira – Os filmes estão imbricados, por isso os personagens são os mesmos. Na verdade, não foi uma opção e sim uma decorrência natural.

Gabriel Carneiro – Quando foi fazer Louco por Cinema, cogitou chamar o Lula [Antonio Luiz Martins, ator de Meteorango Kid]?

André Luiz Oliveira – Até que por um instante cheguei a cogitar, mas logo descartei. Vi que não era boa idéia a associação tão explícita com Meteorango Kid, embora esteja subtendido que o personagem é o mesmo.

Gabriel Carneiro – Qual a relação entre você e o personagem Lula?

André Luiz Oliveira – Quem me conhece, sabe muito bem que Lula, personagem dos dois filmes, sou eu e vice-versa. Não há como negar. Assim como também sou um pouco de todos os personagens secundários e coadjuvantes, como se fossem egos de uma só pessoa (o advogado picareta, o traficante frustrado, a bicha mediúnica, etc). No Louco por Cinema, a trajetória do personagem é mais claramente sobreposta à minha biografia. Meus filmes falam de mim, das minhas inquietações e angústias existenciais, do meu humor e da minha realidade interior. Não faço filmes de fora pra dentro. Mesmo A Lenda de Ubirajara, que era uma história de um autor clássico da literatura, havia um índio rebelde lá dentro que precisava se aculturar e foi o que fiz: dei-lhe voz, corpo, imagem.

Gabriel Carneiro – O que seria o louco?

André Luiz Oliveira – O louco no mau sentido é o estigmatizado. Aquele que por força das circunstâncias externas está vivendo uma outra vida, estrangeira à sua própria, sua verdadeira natureza. É o sujeito que se identifica com a personagem que lhe imputam e vive infeliz sem o contato profundo consigo mesmo, é o domínio do ego e o esquecimento do ser.

Gabriel Carneiro – Louco seria carregar um estigma que não te pertence? Seria refutar o ‘marginal’?

André Luiz Oliveira – Exatamente, porque ele (eu) não fez a opção em ser marginal, foi rotulado de marginal. Até aí, tudo bem. O grave é o estigma que aprisiona, impedindo a mudança, o crescimento, a criatividade. Assim aconteceu com Lula, o personagem do Louco por Cinema, que não estava no manicômio judiciário por opção, ele estava preso. Sendo que, na verdade, ele só queria ter a oportunidade de ser ele mesmo e a elaboração da sua libertação durou 20 anos.

Gabriel Carneiro –Você sente que se libertou dessa loucura, desse estigma?

André Luiz Oliveira – Não há essa libertação dessa maneira simplista. O que houve foi uma compreensão e aceitação de mim mesmo e em conseqüência dessa consciência, uma paz de espírito há muito buscada. É o que Jung chama de “individuação” na psicologia analítica. Eu apenas tomei consciência desse problema que estava latente e latindo dentro de mim e com isso me liberei. Do ponto de vista mais esotérico, posso dizer também que exorcizei um encosto indesejado. Tudo isso porque não sentia que eu era inteiramente eu, ou seja, estava vivendo sob o comando daquele personagem-ego mítico, o herói intergalático dos anos sessenta. Ele era parte de mim, não o todo. É mais ou menos isso que Lula (personagem) diz para Eugênio (personagem) no final do filme Louco por Cinema quando este sai do corpo daquele. “Finalmente, agora eu sou eu mesmo!”. O importante é você ser todos os personagens com consciência deles e não apenas um, inconsciente – mesmo que seja genial.

Gabriel Carneiro – E como surgiu o livro Louco Por Cinema – arte é pouco para um coração ardente?

André Luiz Oliveira – O livro é onde conto tudo isso. Foi muito importante para mim escrevê-lo, não somente como catarse, mas porque revela e aprofunda o que está metaforicamente no filme.

Gabriel Carneiro – Qual sua relação com o Festival de Brasília?

André Luiz Oliveira – Historicamente é muito boa. Coincidentemente, todos os meus três filmes de longa-metragem participaram do Festival e foram premiados. Isso muito antes de eu vir morar aqui. Meteorango Kid em 1969, A Lenda de Ubirajara em 1974 e o Louco por Cinema em 1994.

Gabriel Carneiro – Como você se define profissionalmente?

André Luiz Oliveira – Não sei lhe dizer, não sei me definir profissionalmente. Não sei me enxergar com esse distanciamento. Sempre procurei não me identificar com essa imagem de profissional de cinema, para que pudesse ficar livre na busca de outros caminhos de expressão, talvez por isso a dificuldade. Acho que agora, aos 61 anos, está se delineando uma figura com a qual me identifico, que não existe profissionalmente. É a personagem que mais gosto em mim mesmo e que vai ficar bem nítido no livro que estou escrevendo, Sagrado Segredo, em que o cinema é apenas mais um episódio em minha vida e não a totalidade como parece.

Gabriel Carneiro – E pessoalmente?

André Luiz Oliveira – Um buscador… Talvez fique muito abstrata esta resposta para uma revista de cinema. Essa é uma questão que sempre tive dificuldade: como falar das minhas experiências no campo do autoconhecimento psicológico e da busca da espiritualidade em situações e campos tão adversos como o campo artístico e midiático? Não é essa natureza de resposta que se espera de um cineasta. E aí eu me dividia e me calava. Alejandro Jodorowsky, o genial cineasta/tarólogo/cartunista chileno, me disse uma vez que sempre teve esse tipo de problema. Talvez, para não ter que responder esse tipo de pergunta, o cineasta Conrard Rooks, de únicos dois filmes geniais, Chappaqua [1966] e Siddhartha [1972], tenha se escondido entre o Himalaia e a Tailândia por todos esses anos. Confesso que ainda não encontrei o tom adequado para responder a essa pergunta.

Gabriel Carneiro – Quais outras atividades você desenvolve(u) paralelamente ao cinema?

André Luiz Oliveira – Quanto a atividades artísticas e profissionais, a música é a principal, além de escrever um livro e um texto para teatro. Fora do campo artístico formal – tudo é artístico -, fiz de tudo um pouco. Fui editor de um tablóide alternativo em Guarujá, dono e projecionista de cinema em Campos de Jordão, astrólogo, cantor, sitarista, etc. Para mim, o importante era, e ainda é, não permitir o acomodamento, o automatismo, o comando estável do ego, a estagnação que é a prisão da alma. É vital estar sempre experimentando e para isso é necessário mudar. Isso significa arriscar, recomeçar sempre, permitir a presença de algo que não domino, algo que é maior do que eu, enfim, tenho necessidade de, ao arriscar-me em uma linguagem ou atividade nova, revelar a mim mesmo certas fragilidades, limitações e virtudes inusitadas e isso só é possível assumindo os riscos da autodescoberta.

Gabriel Carneiro – Como você se sente ao ver seus filmes sendo lançados em DVD? Ainda mais se comparado aos inúmeros filmes de grandes cineastas que nunca viram esse formato?

André Luiz Oliveira – Não sei disso não. Achei que meus filmes estavam atrasados com relação a todos os que você citou. [Como exemplo, citamos: Walter Hugo Khouri, Carlos Reichenbach, Guilherme de Almeida Prado, Jean Garrett, Nelson Pereira dos Santos, Ivan Cardoso, Roberto Santos, Ozualdo Candeias, Roberto Pires e muitos outros.] A maioria dos filmes já está em DVD. Meteorango Kid está muito atrasado! A Lenda de Ubirajara, por exemplo, ainda não está em DVD e o Louco por Cinema foi um dos últimos.

Gabriel Carneiro – Sagrado segredo é sobre o que?

André Luiz Oliveira – O filme é sobre a Via Sacra, Paixão de Cristo na cidade de Planaltina no DF. É sobre a inquietação de um diretor de cinema angustiado diante da liberdade da arte e a emergência de um caminho espiritual. Ainda sem previsão de estréia. O filme conta uma parte das minhas inquietações e buscas espirituais ligadas ao gnosticismo cristão. No livro, eu conto tudo, inclusive onde estava e o que estive buscando e encontrando durante a longa estadia fora do cinema.

Gabriel Carneiro – Você tem novos projetos?

André Luiz Oliveira – Muitos. Nem todos na área de cinema. Estou finalizando dois documentários em vídeo, Antes Arte do que Tarde, sobre o multi-artista Bené Fonteles, e Retratos Brasileiros – Agonia e Êxtase, sobre o cineasta baiano Edgard Navarro. No cinema de longa-metragem, tenho muitos roteiros guardados. Mais próximos de possível execução estão três ficções de longa-metragem: Viva o Povo Brasileiro, do livro de João Ubaldo, A Alma que tirou o corpo fora, uma comédia musical minha – um filme em plano médium -, e Ecos do Silêncio, uma ficção sobre o autismo. São muitos os projetos de documentário em vídeo, sendo que o principal deles é Índia/Brasil – Um sonho distante uma presença sutil, que fala da minha relação com a Índia e a sua presença sutil na cultura brasileira desde Cabral. Fora do cinema, como músico, pretendo produzir e lançar o terceiro CD e DVD da trilogia Mensagem, de Fernando Pessoa – já realizei Mensagem 1 e 2. Vou gravar meu primeiro CD e DVD como sitarista e continuar atendendo crianças autistas como co-musicoterapeuta. Tem mais um livro em preparação e um novo texto para teatro.

 

Um Comentário...

  1. […] do curta metragem “O Cristo de Vitória da Conquista”, dirigido por André Luiz Oliveira e lançado em 1984. O filme mostra o processo de criação e montagem do Cristo crucificado de […]

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