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Por Josias Pires

 Junho de 2013

 

O ator Antonio Pitanga, consagrado representante do Cinema Novo por atuações em dezenas de filmes fundamentais, na abertura do Festival de Cinema Baiano, Feciba, sexta (7) à noite, no Cine Santa Clara, em Ilhéus, deu o tom adequado para interpretar sentidos do evento, exortando-nos a ver relações entre os jovens organizadores do certame cinematográfico na cidade e os jovens da sua própria geração do Cinema Novo.

A fala de Pitanga tem a força e trás a oportunidade do diálogo inter-geracional apresentando-nos a experiência intrépida de “jovens loucos” e a necessidade da juventude sempre questionar, inquirir e buscar transformar a realidade, articulando energias das universidades, de estudantes, professores e demais interessados.

O Feciba está na sua terceira edição e é organizado por um grupo de jovens profissionais do audiovisual e da produção cultural que atuam na região e em Salvador, grande maioria oriunda da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), situada a meio caminho entre Ilhéus e Itabuna.

Nos primeiros dois dias do evento, correspondendo aos apelos do mestre Antonio Pitanga, o público teve acesso a um programa que faz a ponte simbólica entre a Bahia atual e aspectos da cultura da Bahia das décadas de 1940, 1950 e início da década de 1960. Neste sentido, o Feciba ocupa – o Festival vai até a próxima quinta-feira (13) – o locus de debates sobre nosso ser cinema.

O filme de abertura do Feciba, Cuíca de Santo Amaro, traça um painel em grossas linhas das décadas de 1940 e 1950. Através da manipulação de arquivos de imagens articulados sob a perspectiva de evidenciar aspectos da vida e obra do poeta trovador, o filme traz de volta à cena o grande performer urbano antes da Cidade da Bahia virar metrópole; e debate a sua atuação de poeta, propagandista e comunicador, um protótipo dos programas atuais de televisão.

No sábado (8) assistimos aos filmes de Alexandre Robatto feitos na década de 1950: Entre o Mar e o Tendal (1953) e Vadiação (1954), que aprofundam a compreensão da cultura soteropolitana. Em seguida vimos o filme de Petrus Pires sobre Alexandre Robatto, Os filmes que eu não fiz. Concluído em junho de 2012, apresenta aspectos diversos da trajetória e da obra do pioneiro do cinema feito na Bahia. O mergulho sobre a época continuou com a exibição, a seguir, de A Grande Feira (Roberto Pires, 1962), em cuja abertura e final estão as cenas com O Tal Cuíca de Santo Amaro. O filme de encerramento da noite foi Escutando Tom Zé, de Jorge Alfredo.

A exibição deste conjunto de obras – e mais de Água de Meninos (Fabíola Aquino, 2012), que será exibido na segunda-feira (10, 19h30min); e Ser tão Cinzento (Henrique Dantas, 2011), exibição na segunda, a partir das 17h30min – torna evidente o dialogo que há entre os filmes, que parecem ser, de alguma maneira, complementares, pois há uma convergência temática permitindo distintas visões sobre fenômenos parecidos. Em Cuíca de Santo Amaro estão imagens e sons de Alexandre Robatto, de A Grande Feira; e no filme de Tom Zé histórias dos filmes anteriores são, em certa medida, passadas em revista pelo ponto de vista de um arguto filósofo popular.

Tom Zé pode ser tomado neste caso como o supra sumo da vanguarda baiana que soube transar como ninguém com o popular. O filme de Jorge Alfredo Escutando Tom Zé sintetiza tudo: Tom Zé é um Cuíca de Santo Amaro erudito. “Tom Zé de Irará” sobre este título Jorge Alfredo terá que pensar. Este nome para o filme de Jorge Alfredo foi sugerido pelo jornalista João Carlos Sampaio, durante o debate pós-exibição em Ilhéus, a segunda exibição do filme em salas de cinema.

O filme de Jorge Alfredo deixa a performance de Tom Zé desabrochar com vigor, inteligência, rara sensibilidade, humor. João Carlos Sampaio sacou de pronto: a fala e as performances de Tom Zé no filme de Jorge aparecem como símbolos do seu nascimento, sentido que é legitimado e intensificado pelo fato de Irará ser a principal locação para as cenas externas.

Enquanto o renascimento de Tom Zé pode ser o tema principal de filmes que estão sendo feitos sobre/com o genial artista baiano, no caso do filme de Jorge Alfredo o que se trata é do nascimento de Tom Zé, a descoberta do seu primeiro sucesso musical ainda adolescente em Irará e a descoberta das suas enormes potencialidades de ser humano livre e criativo.

Destaques da programação – São vários dos destaques, dentre eles a exibição de cinco curtas realizados em Super 8 por Edgard Navarro, José Umberto, Robinson Roberto, José Araripe Jr.; a Mostra Competitiva de Curtas com 14 filmes selecionados. Neste domingo (9), 19h30min, Ritos de Passagem, de Chico Liberato. Na segunda-feira, 15h30min, Estranhos, de Paulo Alcântara; na Terça, 15h30min, Diamante Bruto, de Orlando Senna (1977), na quarta, 19h30min, Pra lá do mundo (Roberto Studart, 2012).

 

 

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