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Café, Pepi e Limão, um filme sobre a juventude invisível.

O roteiro teve sua primeira escrita em 2006, um sonho um tanto distante que foi reforçado em 2008 quando o curta “E aí, irmão” foi exibido junto ao longa “Tropa de Elite” no projeto “Sua Nota é um Show” na concha acústica do TCA e promoveu meu encontro com o produtor James Darcy que me encorajou a encarar o longa-metragem como uma meta em minha vida. Neste mesmo ano revisitei o roteiro e o preparei para o edital de Apoio à Produção de Obras Audiovisuais de Longa-metragem realizado pelo IRDEB, ficando como primeiro suplente do projeto vencedor “Ritos de Passagens” do ilustre artista Chico Liberato. Naquele momento iniciou-se em minha vida um duro e árduo caminho por produtoras que fossem comigo e meu projeto aos editais, e fui a muitos com muitas produtoras ao longo de sete anos.

Esse tempo também foi marcado por um imenso aprendizado, estudo e parcerias. Em 2011 foi estudar na faculdade cubana com o maestro Eliseo Altunaga, em 2013 o roteiro foi analisado por Aleksei Wrobel, Fábio Meira, Marcelo Lordello no “Laboratório de Roteiros” promovido pelo IX Panorama Internacional Coisa de Cinema.

Muitas pessoas especiais e espaciais passaram por este processo comigo e então Adler Paz e Gisela Stangl tomaram a frente do projeto e em 2015 a DOCDOMA FILMES acreditou na força do roteiro e nos levou a vencer o PRODECINE 01/2015. A verba chegou no final de 2016, começamos a trabalhar em 2017 uma pré da pré-produção sem usar a grana onde revisitei o roteiro através de uma análise de João Mattos e novamente em 2018 com Aleksei Wrobel.

Sobre o roteiro:

O roteiro é baseado em histórias reais de crianças em situação de rua e estruturas familiares falidas e corrompidas por circunstâncias da vida e de estruturas político-sociais que gerem a carcaça da sociedade em geral. Três meninos, três famílias, muitas histórias e inúmera tragédias giram o compasso de Café, Pépi e Limão. Cada personagem carrega o peso de muitos relatos reais de crianças perdidas pelas calçadas, buracos, esgotos, semáforos e praças das cidades ao relento dos nossos medos, da nossa intolerância, da violência avassaladora do concreto, do asfalto e do débil ódio social. Café foge do sertão onde mora para não morrer e acaba pelas ruas de uma metrópole a procura de seu pai, Pépi é estuprada por seu padrasto e expulsa de casa por sua mãe, que a considera culpada pole abuso. Limão vive com uma mãe viciada que já não tem forças para viver, ele então, trabalha nas sinaleiras da cidade durante a manhã, vai para a escola a tarde e gasta seu suado dinheiro comprando a droga da mãe e um pouco de alimento. Assim as histórias vão se desenrolando em esperanças, em dores, em lutas, em vida, em pequenas alegrias e grandes tragédias. Os três se encontram na rua e vivem uma intensa amizade cercada de solidariedade e parceria o que os tornam fortes e aguerridos por sobreviver, mas os acontecimentos tratam de separa-los e lança-los em novos desafios que selam a tragédia final de cada um. Neste filme a esperança estará em quem assiste, este é o desafio maior, causar um dano na cumplicidade social perante as irregularidades que assolam vidas, trazer à tona a releitura pessoal, o remorso de uma sociedade que justifica a sua psicopatia.

Sobre o momento:

A Truq entra como parceira e apoiadora do projeto e temos Sylvia Abreu e Bau Carvalho como Produtores Executivos, Gisela Stangl como Diretora de Produção, Gabriel Bico como Coordenador de Produção e Platô, Luiz Mário Vicente e João Rodrigo Mattos na Preparação de Elenco, Milena Pinheiro e Karina Paz como Produtoras de Elenco,  Pedro Semanovisk como Diretor de Fotografia; Orlando Fernandes como gaffer, Moacyr Gramacho como Diretor de Arte; Diana Moreira como Figurinista; Nayara Homem Maquiadora e Ana Luiza Penna com o som direto. Na direção eu, Pedro Léo, e meu amigo Adler Paz que se juntou mim nessa batalha a cinco anos. No elenco principal temos João Vitor Souza (Café), Mary Nascimento (Pépi) e Leonardo Lacerda (Limão) uma galerinha talentosa que encarou o desafio e ainda temos Jussara Mathias, Fernanda Beling, Paulo Borges, Manu Santiago, Heraldo de Deus, Everton Machado, Lucio Tranchesi e grande elenco.

Estamos finalizando a pré-produção e iniciaremos as filmagens dia 12 de fevereiro de 2019 pelas ruas de salvador, momento esperado a mais de uma década. Bem é isso… Sol na cabeça, rua, praças, locações reais, muito sangue no olho nesse cinema de guerrilha transformando o real em arte, o feio em belo, o silêncio em um grito profundo.

Pedro Léo Martins, roteirista e diretor

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