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Home » Entrevistas » Caó fala sobre Setaro

 

Neste domingo, 12 de outubro, o prof. André Setaro faria 64 anos. Para marcar a data serão exibidos dois documentários, às 16h, na Sala Walter da Silveira: Setaro 64, coletânea que reúne diversos momentos da vida do crítico, e André Setaro nu Espanha, de Caó Cruz Alves, que faz referência ao tradicional bar da Rua General Labatut, nos Barris.

As duas sessões terão entrada franca e começarão a partir das 16 horas. A homenagem é promovida pelo grupo “Bebendo Setaro“, formado por amigos e ex-alunos.

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André Setaro nu Espanha

Direção: Caó Cruz Alves
doc | vídeo HD | 10 min | 2014

Sinopse: Declarações “sensuais” e bem humoradas, num momento de inspirações boêmias, por um gênio e intelectual sensível, a um casmurro espanhol armazenista frequentador do bar situado no bairro dos Barris, em Salvador. O vídeo/doc, homenagem ao critico de cinema André Setaro, tem a participação de vários artistas baianos.

 

Fausto Junior entrevista Caó Cruz Alves

Mais conhecido como animador e cartunista, nesta entrevista Caó fala sobre a realização do curta e relação do prof. Setaro com o Bar do Espanha.

FJ – Vamos começar pela pergunta básica: como surgiu a ideia para fazer esse filme?

Caó – Antes disso tenho que falar sobre o espaço do Armazém do Espanha.
Setaro sempre dizia que esse era um tipo de lugar que já não se encontra mais em Salvador. Um bar-armazém, que funciona como um reduto de artistas, boêmios… e ele resolveu criar uma comunidade no Facebook pra reunir os frequentadores de lá. Era um grupo fechado e Setaro administrava. Pra fazer parte tinha que ter aprovação dele.

FJ – Mais ou menos quantas pessoas faziam parte?

Caó – Umas cem. É, da última vez que vi tinha mais de cem.

FJ – E existe há quanto tempo?

Caó – Foi feita há uns três a quatro anos. Depois não sei como ficou. Setaro organizava tudo. Aí ele se foi…

FJ – E levou a senha junto, he he.

Caó – É. Nem sei como está agora. Se ainda é fechada. Mas o caso é que os armazenistas, que era como Setaro chamava os participantes da comunidade…  pois é, os armazenistas postavam fotos e comentários. Era uma grande curtição pra ele. Ele era meio resistente a esse negócio de rede social, facebook, apesar de usar pra publicar seus textos, mas essa comunidade do Armazém do Espanha foi como descobrir um brinquedo novo.

Nota: O grupo Armazém Espanha está indisponível. Existe uma fan page, mais recente, que marca o que seria o fechamento do bar-armazém, o  que acabou não acontecendo – para alivio de sua fiel clientela.

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FJ – E o Espanha?  (Sr. José Mendez, o Espanha, por décadas dono do bar, que em 2012 resolveu vender o estabelecimento e passou a ser frequentador.)

Caó – Foi a admiração dele por Seu José que me inspirou. Era uma admiração desde os anos 60, ou 50, sei lá. Setaro já frequentava o armazém desde essa época. Os donos eram três irmãos, e depois ficou só Seu José, o Espanha. Admiração, sem ímpeto sexual. No depoimento ele diz: “um benfeitor, um avatar, uma espécie de pai caloroso, herói…”

FJ – Quando foi gravado o depoimento?

Caó – Foi em fevereiro desse ano, na semana logo antes do carnaval. A última reunião dos armazenistas. Ele que sugeriu esse encontro. Foi muito bacana, tava bem cheio, movimentado. Ele já tava meio debilitado, com dificuldade pra andar. Eu estava com a câmera e ele me deu esse depoimento. Foi espontâneo, não teve nada forçado. Muito lúcido, muito sincero. Setaro, além de ser um crítico, era humorista. Um humor sutil, britânico, que muitas vezes era mal interpretado.

FJ Falava com uma seriedade e na verdade tava se acabando de rir por dentro.

Caó – Tenho outras imagens dele. Uma vez nos encontramos em Conquista, durante a Mostra de Cinema. Ele tava ensinando em uma oficina sobre história do cinema e eu dando oficina de animação junto com Zé Vieira. Desde aquela época ele já tava proibido de beber, fumar e tal. No fim da tarde olha ele lá tomando cerveja. Aí falei pra ele: “Ô? Já tá podendo beber?” E ele disse: “Hoje posso porque terminei eu curso”. Ele tava feliz por ter chegado ao final da oficina, ter cumprido sua missão.

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FJ – Setaro “nu” Espanha.

Caó – É, de certa maneira ele se desnudou, revelou algo que podia ter outra interpretação.

FJ – E a reação do público? (O curta teve primeira exibição pública na abertura da Semana do Audiovisual Baiano Contemporâneo, em 21/set.)

Caó – Fiquei bem comovido com a reação. As pessoas reagiram bem. O filme tem muito ruído externo, barulho da rua, do pessoal no bar. Então a solução foi botar legendas. No final tem a música cantada por Brigitte Bardot…

FJ – Setaro e sua paixão por BB.

Caó – É, he he. Fui procurar a música na internet, Je T´aime… Moi Non Plus, que parece uma música de amor, mas não é. É um falso amor. E foi composta por Serge Gainsbourg, um cara cultuado na França, mas aqui não é muito conhecido. Casado com a atriz Jane Birkin, formou um casal símbolo de liberdade, de estilo de vida liberal nos anos 70. E antes ele teve um caso com Brigitte. Serge tinha umas coisas parecidas com Setaro, do ponto de vista da boemia, da apologia ao cigarro e da irreverência social contra a mesmice. Pra Setaro fumar era um charme, um prazer. Pra ele era a vida.

 

REFERÊNCIAS

Blog de Caó: caocruzalves.blogspot.com.br

Setaro’s Blog: setarosblog.blogspot.com.br

LIVROS DE ANDRÉ SETARO
Escritos sobre Cinema: Trilogia de Um Tempo Critico
Caixa com três livros: Diretores e Filmes; Estética e Linguagem do Cinema; e Cinema Baiano

Panorama do Cinema Baiano (2012)
Versão gratuita em PDF, 8 mb

 

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