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por Geronimo Santana

 

 

Já é carnaval, cidade! Acorda que voltou a festa sem corda, uma ilusão de esconder a falência da festa privada na avenida. A multidão empobrecida ao deslumbre dos ídolos carnaválicos, talvez um pouco mais perto do seu trio, vai deslizando em gofadas humanas com cheiro de mijo, suor e sangue, em seu perfume pleno do mangue – odor que permeia a multidão já bem acostumada a desodorante vencido aos beijos e abraços e a festa vai e todos vão…

A música monossilábica louvando as duas partes da cidade com palavras de ordem como se estivessem a descrever o movimento do Elevador Lacerda coreografado com o corpo:

“Desce, desce, desce,

 sobe, sobe, sobe…”

 

Porque, quem sabe? Se eu sou negão e nessa cidade todo mundo é D’Oxum?

Claro! Tenho de legislar em causa própria. Isso, aprendi vendo e ouvindo as autoridades se presentearem em selfies erários gigantescos e sem fim. A população aumentou, impostos nem se fala, trios elétricos verdadeiros dinossáuros e, na avenida, a falência carnavalesca.

Tive a oportunidade de tocar no circuito Osmar – o mais tradicional, em pleno domingo – às oito da noite –  e parecia que era madrugada de quarta feira de cinzas. Não caí na deprê. Toquei o navio, e tenho certeza que agradei aquele folião pipoca com músicas de todas as épocas; Até Danúbio Azul entrou na festa. Fala-se muito da crise ser a causadora do evento, mas em toda minha vida nunca tive a oportunidade de viver sem ela… A crise sempre foi companheira do povo brasiliano. Prefiro chamar assim do que de brasileiro (traficante de pau brasil), que era o termo que os portugueses usavam).

O carnaval, pra mim, não foi ruim, mas também não foi bom. E a história é o carnaval in door, carnaval em clubes, hoje denominado camarote, onde o folião encontra boca livre, pode fazer exames médicos, tomar massagem, assistir a miséria alheia, descansar em poltronas, fazer sexo seguro e privativo, uma porrada de coisas para a seu bem estar e, claro, ouvindo músicas monosilábicas enaltecendo o corpo, subindo e descendo verdadeiros elevadores, onde o falo com camisinha, que é mais seguro, vai penetrando.

Vai,vai vai,

vem, vem vem,

desce, desce, desce…

 

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