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Por Lula Oliveira

Vejo o retorno de Jorge ao lançamento de um novo álbum, como se tivesse assistindo a chegada de um disco voador.  Em forma de vinil. Ele se aproxima lentamente se fazendo ver, através do meu olhar, sentindo uma lombra marejada de um baseado misturado com LSD, um movimento meio câmera lenta e meio derretido. O disco voador se aproxima cada vez mais de sua mente, até penetrar no seu cérebro, como uma lâmina de Bunuel ao cortar um olho em seu Cão Andaluz. Uma Suave distopia…

A canção distópica carrega uma mensagem da necessidade de fortalecer o sentido da resiliência para suportar os efeitos de uma sociedade doente, tendo a ideologia do fascismo  sombreando a civilização como nuvens de gafanhotos em plantações e cultivos. Uma praga para humanidade. A música nos acalenta e nos segura como se Oxalá tivesse pegando na nossa cabeça e nos pedindo força para enfrentar a escuridão e a solidão. Suave Distopia nos dar força para seguir em frente.

Jorge está lançando um vinil 40 anos depois do lançamento do “Bahia Jamaica” (1980), em parceria com Chico Evangelista, pela Copacabana Disco.

Agora, de quebra, lança a música Suave Distopia , em parceria com João Santana, é acompanhada de um primoroso trabalho de animação que revela todo o ambiente que traduz a contemporaneidade que estamos vivendo. Com traços vangoguianos, os desenhos animados traduzem a solidão do homem moderno, como se os girassóis estivem presos naquele quarto da animação, na parede amarela da sala e na solitude da mulher de costas para a janela…

Jorge dá um banho de visão e da dimensão do ser artista nos tempos atuais. Aliou tecnologia, cinema, memória, olfato ( o vinil tem cheiro…) e criatividade para promover seu novo álbum. Escrevendo sob impacto imediato, do delírio psicodélico que a canção e a animação provoca, pelo menos em mim..

E o delírio terminou assim: O disco agora sai da sua mente, laminando a fronte da sua cabeça e para diante do seu olhar, derretido e meio desfocado, ele parece querer me dizer algo. Uma música começa a se fazer presente. Escuto, vertiginosamente, a canção se aproximar de mim . Escuto uma voz, a de Jorge, cantando “Sossegue, isso nunca vai acontecer aqui”..

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