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 Quando as cores envolvem e movimentam uma cidade

 

Por Aléxis Góis

 

Um muro descuidado, com tinta descascando e vários buracos, entre as charmosas casas da rua Dois de Julho em Andaraí chamou a atenção do artista visual autodidata Eder Muniz. Era o lugar perfeito para realizar uma intervenção com seu grafite.

Acostumado a sempre trabalhar em colaboração com outros artistas, Eder convidou Sebast Silva, grafiteiro local, para pintar um mural na cidade. Aos poucos, do outro lado da rua, o público começava a se aglomerar para acompanhar o processo de criação dos dois artistas que, em menos de três horas, transformou completamente o muro da casa de seu Milton, comerciante local.

Estes foram apenas os primeiros traços de uma intensa semana de intercâmbio sobre arte urbana e muralismo na Oficina de Grafite do Cine Diamantina realizada no Colégio Edgar Silva.

Nos primeiros momentos, apenas uma dúzia de alunos apareceu na oficina. Apesar da fama em Salvador, Eder Muniz era apenas um desconhecido dos andaraienses.

De pronto, em sua fala, o artista rejeita títulos e formalidades. Explica que está ali apenas para “trocar ideias” e passar a sua experiência, tentando diminuir a distância que possa existir em sala de aula. Com seu jogo de cintura, conquista o respeito dos adolescentes e passa a ser chamado carinhosamente de “professor”.

O processo de aprendizado e criação dura quatro dias e passa por diversas técnicas, como desenho em papel, pintura em tinta guache, stencil, pintura em papel metro, até chegar no resultado final, combinando tinta acrílica e spray. A prática da criação fez com que o número de alunos tenha crescido dia a dia.

Ao final de uma semana de atividades, bem perto da primeira intervenção de Eder e Sebast na cidade, um muro de 20 metros em frente a praça do Jipe serviu de tela. A animação de dezenas de adolescentes, jovens e adultos foi tão grande que um segundo muro com aproximadamente 10 metros foi necessário para dar a oportunidade a todos de se expressarem artisticamente.

Assim, a rua estreita entre a praça dos Garimpeiros e a praça do Jipe, um dos trechos mais movimentados da cidade, se tornou uma galeria aberta de arte urbana, a ser apreciada por moradores locais e turistas de todo o mundo, tornando-se um patrimônio artístico e afetivo de Andaraí.

Após a oficina em Andaraí, o artista visual Eder Muniz seguiu para Lençóis, onde faz uma intervenção na cidade, a pedido dos moradores locais.

 

fotos- Maíra do Amaral

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