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Por Pedrinho Semanovski

Conheci Jorge Alfredo como Diretor de Comerciais para TV nos meados da década de 90 quando eu estava começando minha trajetória como Diretor de Fotografia. Rodamos muito na boa e velha Truq. Sorte minha! Eu já conhecia seu passado musical de sucesso (e quem não?) com o parceiro Chico Evangelista, e nunca tinha entendido o porquê de Jorge ter saído da cena pop no auge da carreira.


Jorge não deixou a poesia. Ainda na Truq, entre os anos de 1999 e 2000, ele começava a filmar Samba Riachão, seu primeiro longa metragem. Com esse documentário, ele estreava em 2001 no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, ganhando três troféus Candango, que inclui o de melhor filme. Num curto discurso de agradecimentos e aplausos, ritual de toda premiação, com a dourada estatueta em mãos, disse que guardaria com carinho ao lado do troféu Buzina de Ouro (prêmio da música dado pelo lendário Chacrinha). A maioria da plateia não entendeu a anedota. Ninguém fazia ideia de que aquele Jorge Alfredo, estreante cineasta (já grisalho), era o mesmo da famosa dupla dos anos 80.

 

Pelo que conheço Jorge, ele nunca abandonou a música. Ele só tinha mudado de profissão. Músicos desse nível nunca a abandonam. Ele sempre mantinha um violão em casa e utilizava a música no processo criativo para seus filmes.


Boa foi a surpresa quando no fim de 2019 me enviou por WhatsApp uma primeira composição, com a parceria de outro publicitário, João Santana, e depois o clipe e o disco. Confesso que desconfiava que ele estava preparando um golpe… Bom e grande golpe! Para nossa sorte, num momento de sufocante distopia política e cultural, poder ouvir música, que de certa forma nos conforta e não nos deixa esquecer de que há sempre esperança, com poesias fortes, críticas e, melhor ainda, com aquela característica típica de um tropicalismo baiano: a de nunca perder a ternura.

Um Comentário...

  1. Gildete Vasconcelos disse:

    Não tenho competência para tanto.So parabenizalo.

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