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Curta-metragem baiano é exibido em Gramado

 

 

por João Carlos Sampaio

(Cineinsite, 2003)

 

A Bahia vai estar representada no mais badalado evento cinematográfico do País, o Festival de Gramado-RS, com o curta-metragem Hansen Bahia, um misto de documentário e ensaio de imagens, realizado pelo cineasta Joel de Almeida. A película participa da mostra principal no glamuroso Palácio dos Festivais, com exibição prevista para a próxima quinta-feira, 21, quarto dia do festival.

O filme de Joel de Almeida dá conta de um perfil do artista plástico e xilógrafo alemão Karl Hansen (mais conhecido como Hansen Bahia), contemporâneo de Carybé, Jorge Amado e Dorival Caymmi, que encontrou em Salvador e no Recôncavo um ciclo de amizades muito especial de artistas e intelectuais, e que escolheu a Bahia como o seu porto seguro, principalmente pela riqueza da cultura mestiça.

Hansen Bahia, um curta-metragem de 15 minutos, lança um olhar sobre a paixão do artista germânico pela gente pobre de Salvador e do Recôncavo, sua simpatia pela boemia e pela fauna dos becos e casas de tolerância. Revela a humildade com que ele encarava seu trabalho, e resume a sua trajetória, desde o Velho Mundo até Cachoeira e São Félix, onde morreu em 1978, aos 63 anos de idade.

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HANSEN POR AMADO – Joel de Almeida mostra dezenas de gravuras do artista alemão, contrapondo-as às imagens da gente que o artista retratou. Com uma câmera subjetiva, visita ruas e praias de Salvador, percorre as vielas de paralelepípedo de Cachoeira, sempre em busca dos tipos humanos de Hansen Bahia.

Pontuando as imagens, textos de Jorge Amado sobre o amigo Hansen, do escritor José Pedreira e impressões deixadas pelo próprio artista. O ator baiano Harildo Déda empresta sua voz e interpretação aos textos, enquanto que o ator e diretor teatral Ewald Hackler – a um só tempo, alemão e baiano, como Hansen – carrega no sotaque recuperando a voz do biografado na leitura das declarações de amor à Boa Terra.

Premiado diretor de Penitência, sobre o fervor religioso na região de Canudos, e autor de obras como a criativa crônica de imagens Preto no Branco, sobre os vendedores de cafezinho de Salvador, Joel de Almeida rodou Hansen Bahia ao custo de R$ 70 mil. A maior parte dos recursos foi garantida pelo prêmio de roteiro no concurso nacional da Petrobras BR. O filme tem fotografia de Mush Emmons – outro estrangeiro (norte-americano) que se apaixonou pela Bahia, destaca o diretor -, produção de Solange Lima e montagem de Lia Mattos.

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HOMEM DO MUNDO – Antes de adotar a Bahia, Karl Hansen viveu em Hamburgo, na Alemanha, onde nasceu em 1915. De lá ganhou o mundo, viajando como marinheiro pelos quatro cantos. Lutou na Segunda Guerra Mundial e morou no Brasil em dois períodos, no final dos anos 40 e a partir de meados dos anos 60 até a sua morte, quando vivia numa fazenda em São Félix com a mulher, Ilse, já naturalizado brasileiro e com a Bahia incluída na sua assinatura.

Artista de expressão internacional, com muitas exposições e 36 livros publicados, destacou-se pelas suas Via Crucis e pelos retratos da pobreza e da vida boêmia baiana. Uma parte considerável de sua arte, cerca de três mil gravuras, é mantida pela Fundação e Museu Hansen Bahia, localizados na cidade de Cachoeira.

A fundação foi criada no dia do aniversário de Hansen, em 19 de abril de 1976. Dois anos depois seria inaugurado o museu, que funcionou durante 19 anos na casa nº 7 na rua Ana Néri. Em março de 1997, a fundação ganhou nova sede na rua 13 de maio, nº 13, onde funciona até hoje, com o apoio da Secretaria de Cultura e Turismo do estado. O espaço é uma das atrações turísticas mais visitadas na histórica cidade de Cachoeira.

 

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