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por Jorge Alfredo e Fernando Belens

 

Em 17 de dezembro de 1991 aconteceu no ICBA o lançamento de Imagens Cruzadas, um documentário experimental de 15 minutos, que tem sua estrutura a partir de imagens de arquivo da truq, e que foi complementado com imagens originais feitas durante o processo de roteirização e montagem.

Foi uma idéia que tivemos de dar um novo sentido às imagens  de arquivo, das nossas andanças pelo interior da Bahia e outros pequenos mundos mágicos. Imagens Cruzadas  contou com uma forte intuição nossa; aquelas fitas arquivadas durante anos de trabalho, os mais variados entre si, não só guardavam como, de certa forma, também escondiam algumas pérolas de imagens. Reagrupá-las era um exercício prazeroso e surpreendente que subtraia os planos da função a que estavam submetidos anteriormente, deixando-os abertos a uma nova ordenação e temporalidade. Partiu-se então para o roteiro de imagens vivas e comunicantes e não de uma sucessão pré-determinada de idéias;

Imagens Cruzadas é ao mesmo tempo exercício e arte final dos seus próprios movimentos e conflitos. Por rever imagens arquivadas e estender este olhar ao exercício cotidiano da câmera, constrói com os seus fragmentos o que  definimos como uma homenagem àqueles que por trás das lentes criam uma cumplicidade com o dia a dia das pessoas.

Imagens Cruzadas está dividido em cinco blocos;

Prólogo

Labuta

Comunhão

Cumplicidade Ótica

Linguagem

 

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Prólogo

Nos remete ao ambiente degradado. Estamos num universo hostil de homens com máscaras e de rua chamada Oxigênio… As chaminés industriais engolem suas próprias nuvens de poluição. Com inversões dos movimentos, interferimos no sentido conceitual das imagens. Antes do trabalho do homem, o seu habitat – o Polo Petroquímico de Camaçari. Na trama sonora, Meredith Monk and Vocal Ensemble. No enfoque, o meio ambiente e o apelo ecológico.

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Labuta

O trabalho daqueles que esperam e lutam por dias melhores, que reinvidicam por dias melhores. A destreza de mãos anônimas, a sensualidade dos estivadores, o jeito certo, o nó exato, o flagelo de um pau de arara e o trabalho pacificado dos que ganham o dia com o suor do rosto.

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Comunhão

Envereda em torno da religiosidade sertaneja às margens do Açude de Cocorobó. Hora de dar as mãos, beber vinho tinto e provar da farofa. A cada dia 5 de outubro esta Celebração se repete em homenagem aos mártires da Guerra de Canudos. “Mantram” de Walter Smetak costura o tempo dilatado pelo slow-motion e as mãos se levam para o céu.

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Cumplicidade Ótica

O olhar do espia nas encruzilhadas do cotidiano. As nossas crianças e os nosso velhos entreolham-se descortinando sentimentos, gerando conflitos e desobstruindo veias ao som de “Almas” de Egberto Gismonti.

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Linguagem

Os monumentos baianos são revisitados e colocados em xeque-mate. O índio, o negro e o caboclo no carnaval cívico do 2 de julho. A banda de reggae e a filarmônica se misturam aos agogôs e caxixis… São lançados os dados para uma prosa caótica. A fala messiânica da beata Edwvirgens, de Monte Santo, a eloquencia e a lucidez de um líder rural falando sobre o Movimento, contracenam com trejeitos e aparições urbanas e o discurso silencioso do garoto que evoca Charles Chaplin, ponteado pela inspiradora “Língua” de Caetano Veloso, na forma reticente  – o músculo e o gesto.

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ficha técnica;

roteiro e direção – Jorge Alfredo e Fernando Belens

produção – Moisés Augusto (truq cine,tv e video)

edição – Ana Ventura

arte – Boaventura Neto

direção musical – Jorge Alfredo

produção administrativa – Sylvia Abreu

tempo – 15 minutos

formato original – U-matic

ELENCO

Fafá Pimentel

Hamilton Pingo

Luciana Santana
Mariângela Nogueira
Sylvia Rabelo
Roze

Luciano Floquet
Ana Cordeiro
Claudio Cajaiba
Dona Rosa
Elisa Mendes

Jorge Felippi

Comunitários do Novo Movimento de Canudos

 

 

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