Oops! It appears that you have disabled your Javascript. In order for you to see this page as it is meant to appear, we ask that you please re-enable your Javascript!

caderno-de-cinema

Home » Artigos » Lia e a cidade de São Paulo

 

 

Quanto será importante usar a cidade de São Paulo como locação do filme de dança de Lia Robatto?

 

por Suki Villas-Boas

 

O filme Vertigem do Sagrado, de Jorge Alfredo, articula o trabalho criativo da dançarina e coreógrafa Lia Robatto à sua memória artística e com isso traz questões da Dança Moderna em sua trajetória e inserção no ambiente cultural brasileiro. A escolha de Salvador e São Paulo se alinha à vida de Lia, paulista de nascimento e soteropolitana por opção, mas também ao percurso da própria dança experimental no país que teve, até os anos 70-80, essas duas cidades como principais polos de sua tessitura e a arte de Lia Robatto como um significativo aspecto desse fenômeno.

Lia Robatto nasce no ambiente artístico-cultural de São Paulo dos anos 40 do século XX. Pedro Xisto, seu pai, poeta concretista; Hebe Carvalho, sua mãe, artista plástica. Aos sete anos inicia seus estudos na Escola de Bailados do Teatro Municipal. Aos 12 anos, nas aulas de Maria Duschenes e Yanka Rudzka, descobre a Dança Moderna, estabelecendo a seguir com Yanka uma sólida relação artística construída na sua participação como dançarina no Grupo Contemporâneo de Dança, criado e dirigido pela dançarina polonesa. O grupo, nos anos 50, inicialmente se estabelece no Museu de Arte Moderna de São Paulo, na época dirigido por Pietro Maria Bardi, depois na Pró-Arte de São Paulo, tendo como diretor J. Koellreutter. Posteriormente, em 1957, acompanha Yanka Rudzka  na implantação da Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia, em Salvador/Bahia.

A cidade de São Paulo, entretanto, aparece em sua trajetória artística como um importante vetor de articulação de sua Dança. Além de ser frequente seus espetáculos circularem por diferentes teatros da cidade (Teatro Municipal; Teatro Anchieta; TUCA; Teatro Bela Vista; Teatro Vereda; Teatro da Cultura Artística), Lia Robatto participa com seus trabalhos de grandes eventos na cidade de São Paulo. Em 1967, com Boi Espaço, está no I Festival de Dança de São Paulo, junto a grupos experimentais como o Sonda, de Maria Esther Stocklos e José Agripino de Paula; Com Barroco (1968) integra o I Festival Luso-Brasileiro; Invenções (1969), Jogo Alto (1973) e Ao Pé do Caboclo II estiveram respectivamente nas programações das X e XII Bienais de São Paulo e da I Bienal Latina Americana, no Pavilhão do Ibirapuera;

Mas é nos espetáculos desenvolvidos em terras paulistanas, que Lia Robatto consolida sua relação com a cidade de São Paulo. Após Caminho, trabalho independente,inspirado nos poemas concretos de Pedro Xisto, e realizado com elenco paulista, Lia, em 1982, é convidada, por Klauss Vianna, então diretor do Balé da Cidade de São Paulo, para coreografar Bolero, montagem que inaugura o projeto de renovação da referida companhia.  Com direção geral de Emile Chamie, Bolero se desenvolve com uma dramaturgia e a singular exploração do espaço característicos da obra de Robatto. O espetáculo estreia no Centro Cultural São Paulo, mas é também apresentado no Metrô e no Teatro Municipal, conquistando, no ano de 1982, os prêmios da APCA/SP de Melhor Espetáculo de Dança, Melhor Coreografia e Melhor Dançarino.

 

Deixe um comentário