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A defesa e difusão dos direitos humanos e o cinema

 

por Maurício Moura

 

A atualidade dos direitos humanos é um tema muito caro ao estágio de desenvolvimento de nossas instituições políticas que denominamos moderno. O papel do homem em assumir essa responsabilidade de defender os direitos humanos na modernidade é uma reação as calamidades, barbaridades e guerras que abalaram o mundo e produziram o horror do próprio homem frente ao que ele deixou acontecer por sua omissão. Essa sua omissão foi amplamente divulgadas principalmente pela arte cinematográfica sem censura.

O cinema ajudou principalmente o movimento de desenvolver os direitos humanos e internacionalizá-los como um desafio que engloba barreiras culturais e economias pouco desenvolvidas. Porém, o maior estímulo de uma preocupação com os direitos humanos universalmente nunca foi de esperar que simplesmente as coisas acontecessem para que as medidas coercitivas fossem tomadas. O cinema tomou a frente e mostrou o holocausto, o horror da guerra, as ditaduras, as farsas políticas e se afirmou como um instrumento da luta para a efetivação dos direitos humanos.

O papel dos principais defensores dos direitos humanos e seus signatários, os países que assinaram a carta de declaração das nações unidas em 1948, é o de colocar a razão da dignidade humana como fator preponderante de uma boa distribuição de riqueza entre os homens e de remédios que preservassem sua dignidade enquanto sujeito portador de direitos intrínsecos pelo simples fato de nascer.  O cinema, obviamente, não esteve fora desse contexto de ampliação da luta pelos direitos humanos como um luta universal.

Guerras, exclusão social, e a seletividade da justiça na luta pela afirmação dos direitos humanos foram mostrados pelo cinema e são problemas que abrangem toda a comunidade internacional quanto a necessidade de intensificação e implementação de instrumentos eficazes contra a injustiça e a indignidade. A ONU, as cortes internacionais de direitos humanos, são um passo no sentido de banir da terra qualquer injustiça contra os povos e os indivíduos. Porém, não conseguimos criar uma consciência universal da importância de cada um nessa luta.

Hoje, com a web, as novas tecnologias e um campo de interação imediatas, podemos intensificar a luta por uma cultura de desenvolvimento da luta pelos direitos humanos como preconizava Emanuel Kant no seu ensaio “ A paz perpétua” , onde o homem seja um fim em si mesmo e não visto como coisa. Assistimos a filmes a um simples clique de um computador, mas a modernidade e os instrumentos jurídicos modernos não foram capazes, entretanto, de evitar o aviltamento da idéia dos direitos humanos. Então, é a partir desse ponto de vista que entra o papel do cinema como denúncia e a precarização da luta pelos dos direitos fundamentais humanos.

A luta, hoje, na nossa contemporaneidade e do cinema é fazer renascer novas utopias, diferente das totalizações dos extremistas e da supremacia das nações e de classes sociais numa revolução democrática em que o homem não seja somente visto como “consumidor”, não somente como mão de obra-barata, mas também que o homem seja sujeito de direitos exigíveis a qualquer tempo e em qualquer lugar do mundo contra seus opressores pelo que é enquanto ser-humano e as suas características fundamentais de ser diferente em gênero, cor, aptidões e ideologia, embora irmãos de uma comunidade de seres-humanos que merecem integralmente respeito em suas diferenças.

O cinema nessa ampliação e difusão dos direitos humanos pós segunda-guerra mundial tem, como arte moderna, um apelo de trazer as imagens do horror da guerras principalmente e os combatentes desse horror para divulgação e protesto pela implementação das idéias originárias da carta das nações unidas reunidas na declaração dos direitos humanos em 1948. Os diretores e artistas conscientizados de uma missão especial em sua arte evidenciaram temas como racismo, exclusão social, feminismo, terceiro-mundismo, cientificismo, alienação, drogas, enfim, o cinema consegue explorar e adentrar nas discussões que envolvem a luta pelos direitos humanos e sua afirmação como valor intrínseco da dignidade humana.

Os direitos humanos em filmes palestinos, iranianos, indianos e de países que estão fora da influência de Hollywood consagram essa idéia de que os direitos humanos estão sendo violados a todo instante e não passa pela sua tevê. Muitos filmes bons portadores de mensagens não muito apreciadas com a idéia de cinema somente como entretenimento estão sendo discutidos e levando informações preciosas para que o povo pressionem seus líderes por uma luta comum para a efetivação dos direitos humanos e democratização do cinema. Assim, os direitos humanos invadem as salas de cinema alternativos e com festivais de cinema próprio consagram a atualidade da luta pelos direitos humanos, não circunscrito a limitações de ordem ideológica nacionalista pró-imperialista das salas comerciais.

Hoje, o tema do genocídio, como ação orquestrada por governos latinos na América durante a época das ditaduras militares nos conduz cada vez mais a busca pela verdade encoberta durante anos de ação livre de torturadores e seus títeres. A questão dos direitos humanos também recorre ao cinema e afeta a toda uma realidade jurídica comprometida com a impunidade de homens que trabalharam contra a democracia.  Lembramos no cinema o quanto nos falta de efetivação na busca para alcançarmos a grande mídia, atualmente totalmente manipulada por interesses somente comerciais, quando não fazendo apologia contra princípios básicos de direitos humanos esculpidos por tratados, protocolos e pactos.

 

2 Comentários...

  1. […] O cinema e os direitos humanos, por Maurício Moura […]

  2. Jose Lázaro disse:

    Muito bem, Mao. Parabens .

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