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por Tuzé de Abreu

 

Jorge Alfredo me pediu um textículo sobre o filme/ensaio de Caetano Veloso, O Cinema Falado. Protestei dizendo que não tinha conhecimento bastante do assunto para escrever a respeito.

Ele reagiu dizendo que o filme andava esquecido, não tendo, segundo ele, nem mesmo sido comentado adequada ou suficientemente quando do seu lançamento, e que eu era um bom observador do trabalho de Caetano.

As duas primeiras razões procedem. Quanto à terceira tenho dúvidas. Sou um grande admirador de CV , como muitos no mundo. Sou privilegiado por ter trabalhado com ele por alguns anos, poder considerá-lo amigo  e ter vivido  momentos marcantes com ele , como conhecer Lupicínio Rodrigues, excursionar pelas estradas do interior de São Paulo, andar de Rural Wyllis  dentro da praça do Campo Grande, ter sido convidado a ver um show dele em Brasília, ter passado uma noite inteira -até o sol raiar- com ele e João Gilberto  num quarto de hotel em SP, ter estado presente ao famoso show da Concha Acústica, onde ele terminou dizendo um xingamento, ter passeado com ele em Roma, no Rio de Janeiro, em Santo Amaro, em São Paulo, em Brasília, em Salvador, em Florianópolis (na véspera da prisão de Gil) e em outros lugares que agora não lembro, por ter passado com ele algumas viradas de ano, inclusive a última, etc.

Mas daí a me qualificar para comentar o seu filme  há um abismo.

Durante as filmagens de O Cinema Falado - 1986

Que lembro do filme (que tenho, mas não sei bem onde está)? Dazinho dançando em frente à matriz de Santo Amaro  com suas luzes de festa acesas, Rodrigo sambando João Gilberto na chuva, o mar da praia do Farol da Barra com uma cor verde/cinza especial, Paulo César Souza filosofando em alemão, legendado, Maria Ester Scliar com roupas exóticas  dançando em Pituaçu, Dedé e Felipe fazendo o diálogo de Sansão e Dalila  com a música do filme original, Paulinha e Wellington num ensaio preto e branco, Dadi improvisando no contrabaixo num estúdio, Hamilton  Fortuna lendo páginas de Grande Sertão: Veredas, Maurício Mattar nu diante dum espelho nublado (se não me engano por espuma de sabão), a inesquecível Edith do Prato, minha brevíssima aparição sambando no peculiar estilo “galinha quer por” (esta foi uma definição do saudoso Momó), o uso de parte do primeiro disco de Smetak, justamente um trecho onde gravei cantando dentro de um pote, como parte da trilha sonora…

Lembro ainda da nossa ida a Santo Amaro para filmar, quando fiquei muito tempo com o amigo Marcelo, a quem não vejo “fazem horas”, no dizer antigo de Tutty Moreno.

Lembro de Caetano comentando como era trabalhoso fazer um filme, ter que controlar tantas variáveis.  Se forçar a memória poderei lembrar  outras coisas.

O essencial é que foi uma experiência valiosa, daquele que considero o artista brasileiro mais importante do último quarto do século XX e que, como forma, foi dividido em “comentários” sobre música, dança, cinema, literatura, filosofia, artes plásticas , talvez mais.

Gostaria muito que um desses festivais ou  sessões normais dos nossos cinemas, sobretudo as Salas de Arte, exibissem este filme algumas vezes. Acho que será proveitoso para muita gente, sobretudo para os mais jovens. É realmente espantoso que um cara da importância de CV  tenha seu único filme  esquecido, talvez por ser considerado mais músico, talvez por ciúmes da turma de cinema, sei lá…

15 Comentários...

  1. PIERRY disse:

    Evoé, loas e panegíricos mil, caríssimo Tuzé, nesta data querida de hoje que consagra suas 65 primaveras gregrorianas.
    Não há melhor lugar para os parabéns que o Caderno do Alfredo. Quando li este texto da primeira vez, lembrei muito de nossas conversas sobre cinevisualidade, música e quetais durante as filmagens dO Flautista, curta de Matheus Vianna que o nosso amigão Lula Oliveira pilotou, enquanto professor, com os alunos da FTC. Lembro do seu nervosismo naquela estreia como ator. E eu insistindo no fato de que já eras um cabra do CCCCinema, falava do Doces Bárbaros, da Lenda do Ubirajara, Samba Riachão, Eu Me Lembro, deste inquietante Cinema Falado… Puxava minha ficha cdf pra provar, quaquá…, pra você mesmo que já era do metiê. Lembro de você compenetrado, na balaustrada do Passeio Público e, com Lucio Tranchesi, naquela sequência inspirada do Teatro Gregório de Mattos. A fase Cuíca, eu com o pé quebrado, de molho em casa, me achando demais ao dar pitacos por email ao Josias para a banda sonora fantástica que lhe tem como titular.
    E hoje cá estou eu a pesquisar no Cravo Albin sobre Maluco Maciel, um trombonista veterano de BH, e me deparo com o lembrete dos aniversariantes do dia: Manduka, Norma Bengell e VOCÊ! Depois parto pra uma gooleada aleatória e topo com Meteorango Kid, a música, você mandando ver em duo no sax com um carinha chamado Francisco e cantando cheio de brilho aquela letra siderada. Baita alegria! Mais ainda quando vi o nome de tanta gente amiga nos créditos da TVE, que tinha gravado aquele show no final dos anos: Pará, Guilherme Marback, Joviano, Ajurimar… Valeu, Tuzé! Como se não bastasse, tio dos meus manos, Dani e Deco.
    Quando puder, me diga algo sobre esse filme que vi no IMDB: Pra Lá do Mundo. E lhe adianto: sua bio no cinema já dá uma bela monografia.
    Abração (pra você também, Alfred)
    do Pierry

  2. Biófilo Panclasta disse:

    Acredito que ninguém tenha esperado uma crítica de cinema do músico e médico Tuzé de Abreu. O problema está é no puxa-saquismo constante do flautista em relação ao compositor santamarense. Há quem chame isso de afeto… As polyanas da vida, sempre muito pouco inteligentes… Eu chamo de puxa-saco, lambe-colhão etc. de uma pessoa frustrada que gostaria muito de continuar viajando pelo país afora na rabeta (ôpa!) de Caetano. Além do mais, a polyana aí em cima é amiga íntima da mulher do flautista… Bem, não dá para arrumar uma defesa melhor, em todos os sentidos? Não tem ninguém neutro na história? Se puder, com um pouco mais de inteligência também…

    • Fátima Santiago disse:

      Biófilo, você que se acha superior, inteligentíssimo e detesta as polyanas da vida, retomou do seu primeiro comentário, que apresenta algumas afirmações procedentes sobre o filme de Caetano, uma grande bobagem: Tuzé bajula Caetano para voltar a tocar com ele. Você falou merda, ou seja, falou sem compromisso com a verdade: “uma pessoa frustrada que gostaria muito de continuar viajando pelo país afora na rabeta (ôpa!) de Caetano.”. Tuzé é uma pessoa feliz, amorosa, realizada e solidária com os conhecidos e desconhecidos. Além disso, Panclasta, você deveria ser mais corajoso e assinar os seus comentários.

      • Biófilo Panclasta disse:

        Desculpa, não entendi sua mensagem porque há erros de sintaxe em sua escrita. Quando vc aprender a escrever voltamos ao assunto… Grande abraço.

        • Fátima Santiago disse:

          kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Fugiu da raia… Medo de que eu revele aqui o seu nome?

          • Fátima Santiago disse:

            Reecreverei o meu comentário, buscando explicitar minhas ideias com mais clareza:
            Biófilo, você, que se considera inteligentíssimo e superior aos pobres mortais, que detesta as polyanas da vida, retomou, nesse comentário, uma grande bobagem ao afirmar o seguinte sobre o grande instrumentista, compositor de renome e amigo querido, Tuzé de Abreu: “Eu chamo de puxa-saco, lambe-colhão etc. de uma pessoa frustrada que gostaria muito de continuar viajando pelo país afora na rabeta (ôpa!) de Caetano”. Ao afirmar isso, você falou uma grande bobagem, dito de uma forma menos higiênica, falou merda, ou seja, falou sem compromisso com a verdade, pois Tuzé é uma pessoa feliz, amorosa, realizada e solidária com os conhecidos e desconhecidos. Além disso, você deveria ser mais corajoso e assinar os seus comentários, Panclasta.

          • Biófilo Panclasta disse:

            Fátima Santiago, veja o nível pedestre de suas mensagens… “Medo de que eu revele aqui o seu nome?” Coisa de cortiço, de fofoquinha de mulher sem vida muito interessante – o bom e velho bovarismo. Que tem meu nome a ver com o tema, com a discussão em torno do péssimo texto de Tuzé e de seu puxa-saquismo? Além do mais, virou mania – coisa de senso comum, ou seja, de burrice, muito típica em vc – dizer que é covardia usar pseudônimo. Vc não consegue nem jamais vai conseguir ir além do senso comum, Fátima Santiago… É possível usar um pseudônimo apenas para não se expor no mundo virtual, um mundo vulgar, espúrio, cheio de malfeitores que costumam ser pastores protestantes na “vida real”…
            Aliás, que tem a ver tudo o que vc escreveu – e o que vc escreveu gira em torna de questões pessoais, da vida realizada de Tuzé, de sua personalidade solidária, de seu perfil de homem afetuoso etc. – com o tema Cinema Falado, filme de Caetano Veloso?
            Eu fugi da raia por três motivos: primeiro, porque não há fundamento em nada do que vc escreveu, não há ciência, não há fato. Segundo, porque não quero, e vc sabe bem disso, porque sempre a ignoro, não quero qualquer tipo de contato contigo, mínimo que seja. E terceiro, porque não quero contribuir para seu investimento na carreira de “Amiga de Tuzé de Abreu”, uma vez que vc, não tendo talento para absolutamente nada, tornou-se a amiga de alguém supostamente famoso, algo como o papagaio de pirata. É incrível, de todos os amigos de Tuzé, que é um sujeito bem popular, vc é a única a defendê-lo por aqui… Claro, não? Há dois motivos para isso: um, a já citada loucura sua em investir na carreira de amiga de Tuzé – um dia vc ainda acaba nas paradas de sucesso por isso; dois, a necessidade patológica de ter algum contato comigo, ainda que seja para apanhar.
            Eis porque, Fátima Santiago, fugi da raia de seu budismo light e seu politicamente correto, que nada mais é que uma forma de mau caráter e de mediocridade, marcas registradas de sua pessoa. Eu não voltarei aqui. Não quero dar ibope a sua carreira promissora e menos ainda a esse blog ufanista. Adeus.

    • Fátima Santiago disse:

      Fiz um primeiro comentário ao texto de Tuzé de Abreu sem tocar em seu nome. Você mandou para o meu e-mail o link do seu comentário para que eu o lesse. E expôs aqui fatos da minha vida pessoal. Todos te conhecem pela sua agressividade. Você é o cara que ofende e detesta ser ofendido. E, dentre as coisas que escreve, fala muita merda, a exemplo do que disse de Tuzé e agora de mim. É fácil fazer isso sem mostrar a cara. Apontou defeitos de Caetano Veloso e fez pior. Adeus e passe mal. Eu também não voltarei mais aqui para ler as suas asneiras.

      • Biófilo Panclasta disse:

        Vc enlouqueceu ainda mais??? Eu mandei um link para seu e-mail??? Estou me protegendo de vc há anos, venho fugindo de sua perseguição há anos e vc diz, publicamente, que mandei algo para seu e-mail??? Além de tudo esquizofrênica. Ou mitômana… Ou ambas as coisas… rir é o melhor remédio, ainda que se saiba que a maioria dos remédios é amarga. Mas tb dizem que tudo o que é amargo faz bem à flora e fauna intestinal…

  3. Fátima Santiago disse:

    Tuzé é coerente em suas declarações e textos. Afirmou aqui não ser um crítico de cinema para analisar com profundidade o filme do amigo Caetano Veloso. Não se arvorou a fazer quaisquer análises. Falou do filme e de Caetano por meio da memória afetiva. Nada mais natural, para quem é amoroso, a expressão do afeto. E finalizou sugerindo a exibição do filme. Gostei.

  4. Não assistir esse filme, talvez muita gente que curte CV, como grafita Tuzé, também não. Lembro quando foi lançado, acho que não chegou a ficar uma semana na telona. Seria bom o Caderno de Cinema, colocar um link, se alguém tiver, e autorizar o CC, assim podeiramos ver o filme de CV. Abcs.
    Acredito que em algum sebo da Bahia deve ter um DVD, do filme, como estou longe, espero que tenha um link em breve para ver o Cinema Falado.

  5. Humberto Pereira da Silva disse:

    Pois, é, talvez valha rever “Cinema falado, depois de alguns anos; sério, talvez valha mesmo. Mas CV manifestou que quando jovem queria ser cineasta. Com “Cinema falado” teve oportunidade de fazer um filme e ficou por aí; por quê? Talvez essa seja uma das grandes questões desse filme, já não tão recente.

  6. Biófilo Panclasta disse:

    Admirar um artista é perfeitamente aceitável. Agora, babar o ovo é um pouco demais. Se Caetano der uma cagada na praça Tuzé estará presente para elogiar essa cagada… E Caetano já deu muitas cagadas na praça.
    Gosto muito de Caetano, mas não sou doente mental nem planejo ser contratado por ele para tocar em sua banda.
    Pedir a Tuzé para escrever sobre Cinema Falado é pedir elogios, não um texto sério sobre o filme dirigido por Caetano. E o filme de Caetano sofre de vários problemas, embora seja um filme com algumas qualidades, e que deve ser levado em consideração, dentro da história do cinema brasileiro – porque é preciso levar tudo em consideração, dentro da visão culturalista da coisas.
    O problema é que o criador do Caderno de Cinema também é um bajulador do artista santamarense… Aí, meus caros, juntaram a fome com a vontade de comer Caetano.

  7. Cinema Falado de Caetano Veloso é um filme perturbador. Uma obra rara, poética, de beleza única. Gostaria de revê-lo, embora o tenha assistido novamente na afetiva e verdadeira montagem de Tuzé. Lembro pouco do filme, mas sei muito bem o efeito que fez sobre mim na época, sobretudo, o magnífico e inesquecível plano sequência do irmão do diretor dançando miudinho na chuva ao som de Águas de Março cantada por João Gilberto: simplesmente transcendental.

  8. Caó Cruz Alves disse:

    Ola, sugiro a exibição de Cinema Falado numa quarta baiana e se póssível com a presença do Caetano pra falar…
    Caó

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