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O lado B da Visita de Rossellini ao Brasil

 

por Silvio Tendler

 

Muito se fala da malografada parceria entre Roberto Rossellini e Josué de Castro. O encontro entre os dois gigantes corresponde bem a natureza dos anos 50 quando havia um cinema social que empolgava multidões e cientistas que sonhavam em mudar o mundo.
Rossellini apesar de todo nome e da origem aristocrática não nadava em dinheiro. Josué de Castro apesar da origem humilde mas por conta do prestigio que tinha nutria a ilusão que teria uma obra adaptada pelo grande mestre. Conhecido por “Geografia da Fome”e depois por “Geopolítica da Fome”, Josué escreveu também “Sete Palmos e Um Caixão” que gostaria de ver adaptado para o cinema pelo mestre italiano.
Durante meses os dois gigantes trocavam correspondência a respeito do filme que fariam juntos. Esta correspondência está toda organizada no Centro Josué de Castro no Recife. O texto principal era: “sou seu fã, temos que filmar juntos”. O subtexto contido na cabeça de cada um dos dois era “Rossellini é poderoso no cinema europeu, ele consegue a grana”. Do lado de lá, vinha: “Josué é deputado, respeitado, dirigiu a FAO”, ligado ao governo brasileiro (JK) consegue a grana”.
Meses de correspondência, uma viagens juntos, na hora da conta para fechar a produção, não havia grana. JK não pagou a conta, nem a RAI, nem a FAO, nem ninguém. Os dois gigantes tesos, ficaram na lenda do filme juntos e do sonho.
Bela história, que Paulo Caldas se aventure.

 

(Leia, aqui no Caderno de Cinema, Rossellini e dona Bombom, artigo de Giovanni Soares)

 

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