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A exposição O Pulsar marca a primeira mostra dedicada a obra de Augusto de Campos na Luciana Brito Galeria.

A mostra apresenta um recorte do fazer artístico-poético de Augusto de Campos, reunindo trabalhos realizados entre 1975 e 1983 e trazendo pela primeira vez a público versões originais de poemas do artista. O Pulsar é a primeira exposição do programa Artista Visitante inaugurado esse ano pela galeria.

A Luciana Brito Galeria tem o prazer de apresentar O Pulsar, primeira exposição dedicada ao trabalho do artista Augusto de Campos (São Paulo, 1931) em seu espaço. A mostra que tem início no dia 1 de julho (sábado) e apresenta uma seleção do fazer artístico-poético verbivocovisual1 do artista, reunindo trabalhos realizados entre 1975 e 1983, conta com a curadoria de Daniel Rangel.

Augusto de Campos é um dos expoentes da poesia concreta brasileira ao lado de Décio Pignatari e Haroldo de Campos e apresenta pela primeira vez, em mais de sessenta anos de carreira, suas obras em uma galeria de arte. O recorte temporal proposto na mostra revela uma produção artística marcada pela transição do analógico para o digital. Os poemas são apresentados sob a forma de cartazes com as tipografias adesivas denominadas letra-set, vídeos e serigrafia, evidenciando, através da multiplicidade de suportes adotados, a maneira com que o artista explora o desenvolvimento tecnológico do período.

Como sugere o título da mostra, a exposição orbita em torno do poema homônimo, “O Pulsar”, 1975, da serie Stelegramas, considerado como o primeiro “poema constelação” de Augusto de Campos. A exposição, que ocupa integralmente a sala central da galeria, traz pela primeira vez a público duas versões em cartaz do poema. Embora ambas versões datem de 1975, a versão apresentada com a tipografia letra-set futura é anterior àquela que utiliza a tipografia intitulada baby-teeth onde finalmente o autor consegue obter o resultado icônico desejado.

São apresentados outros “poemas estelares” do mesmo período: “Todos os sons” (1979), ”SOS” e “Inestante”, ambos de 1983, sob a forma de cartaz, confeccionados com as tipografias adesivas letra-set , e exibidos pela primeira vez na mostra. O vídeo aparece também como suporte para a poesia de Augusto de Campos, em versões revistas do poema “O Pulsar”, musicado em 1975 por Caetano Veloso, e editado em vídeo desde 1984, “S.O.S” e “Tudo está dito”, musicados por Cid Campos em 1992, e cujas primeiras animações digitais datam, respectivamente de 2003 e 2012. Ainda na sala central da galeria, será possível ver “O Quasar”, 1975, em impressão serigráfica sobre panneau produzida na Itália em 1991.

A exposição “O Pulsar” vem em consonância com o ideal dos poetas concretos brasileiros, de aproximar a poesia das artes plásticas. A palavra, na poesia concreta ganha status de “coisa” e não simplesmente de signo. Assumidas assim, não só através da sua dimensão semântica, as palavras se agrupam como as cores e os sons, dentro de uma qualidade sistêmica, fazendo da poesia arte e do poeta artista.

A mostra ainda inaugura o programa Artista Visitante que, idealizado este ano pela galeria, visa dinamizar sua programação convidando artistas que não compõem seu elenco a desenvolver propostas paralelas ao calendário formal de exposições.

 

1 Na poesia concreta, diz-se da forma de apresentação de um poema em que o texto é organizado segundo critérios relacionados aos aspectos gráficos e fonéticos das palavras; integração do semântico, do plástico e do sonoro.

Sobre Augusto de Campos

Augusto de Campos nasceu em 1931 em São Paulo. Poeta, tradutor, crítico literário, critico musical e ensaísta, juntamente com Décio Pignatari e Haroldo de Campos é considerado um dos expoentes da poesia concreta brasileira. Forma-se em direito pela Faculdade do Largo de São Francisco. Publica seus primeiros poemas em 1949, na Revista Brasileira de Poesia. Publica seu livro de estreia, O Rei Menos o Reino, em 1951. Participa da criação do grupo Noigandres e edita uma revista com mesmo nome, ao lado de Haroldo de Campos (1929 – 2003) e Décio Pignatari (1927-2012). Em 1956, participa da 1a Exposição Nacional de Arte Concreta, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP). Em 1959, participa de exposição internacional de poesia concreta, em Stuttgart, Alemanha, e no ano seguinte de exposição realizada em Tóquio, Japão. Em 1963, apresenta-se na Semana Nacional de Poesia de Vanguarda, em Belo Horizonte, e no ano seguinte expõe a série de poemas- cartazes Popcretos. Na década de 1960, com colaborações de poetas como Cassiano Ricardo (1895 – 1974), Sebastião Uchoa Leite (1935 – 2003) e Paulo Leminski (1944 – 1989), edita a revista literária Invenção. Em 1974, publica Caixa Preta, conjunto de poemas visuais e poemas- objeto manipuláveis, desenvolvidos em parceria com o artista plástico Júlio Plaza (1938-2003). EM 2016 ganha a retrospectiva REVER no SESC Pompeia que reúne sua obra poética.

Sobre o curador Daniel Rangel

Daniel Rangel é artista, curador, produtor e gestor cultural. Foi Diretor de Museus da Secretaria Estadual de Cultura da Bahia, de 2008 a 2011 e assistente de direção do Museu de Arte Moderna da Bahia, entre 2007 e 2008. Idealizou e dirigiu o espaço SOSO+Cultura, em São Paulo. Foi um dos curadores da 17a Bienal de Cerveira (Portugal), da II Trienal de Luanda (Angola), da 6a Bienal de São Tomé e Príncipe e da 8a Bienal Internacional de Curitiba, realizada em Outubro de 2015. Ainda como curador, idealizou e curou o programa Quarta Dimensão, onde realizou individuais de Tunga, José Resende e Waltercio Caldas em diálogo com a obra de Augustin Rodin, no Palacete das Artes, em Salvador (2009) e o programa Ocupas (2009 / 2010) com mostras de site-specific de Eder Santos, Carlito Carvalhosa, José Rufino e Caetano Dias, em diálogo com o entorno do Palácio da Aclamação. Realizou também a mostra “Transit” que circulou por Salvador, Brasília e São Paulo com obras de artistas contemporâneos africanos entre outras dezenas de coletivas e individuais no Brasil e exterior incluindo as de Arnaldo Antunes, Rodrigo Braga e Chelpa Ferro. Em 2016 é curador da mostra REVER no Sesc Pompeia, retrospectiva da obra poética de Augusto de Campos.

abertura: 01/07/2017, 12h – 18h
visitação: 04/05/2017 – 22/07/2017
horário: terça a sexta, das 10h às 19 h; sábado, das 11h às 18h Avenida Nove de Julho, 5162
telefone: (+55 11) 3842-0634 www.lucianabritogaleria.com.br/contact
Sugerimos utilizar Uber e taxi. Estamos entre as ruas Suécia e Noruega.

 

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