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por Orlando Senna

 

 
O objetivo prático e aprazado dessa oficina a toque de caixa é criar e desenvolver roteiros para filmes curtas-metragens de ficção em uma semana e, em seguida, também em uma semana, filmar um dos roteiros, fazer o filme. Um filme com poucos recursos financeiros, a ser realizado no território mágico do Vale do Capão com muita imaginação, metendo o dedo onde deve e onde não deve, com a cara do cinema brasileiro da era digital. O objetivo sócio-cultural e aberto no tempo é a democratização e expansão do acesso aos meios de produção audiovisual, com ênfase na regionalização do estímulo e da formação.

Regionalização como caminho da nacionalização. A lembrar que a indústria audiovisual é a que mais cresce no planeta e que o Brasil trabalha com a meta de tornar-se o quinto maior produtor/exportador mundial até 2020. O audiovisual brasileiro já superou as indústrias farmacêutica e têxtil, o que não é pouco. Por outro lado, também a lembrar que estamos iniciando uma nova etapa da convivência humana, uma nova revolução industrial e de costumes, um encontro da inteligência artificial com nossas inteligências emocionais — e no epicentro desse reboliço está a atividade, a técnica e a arte audiovisuais.

O que me cabe nessa aventura de criação que acontece em Mucugê, no coração da Bahia, é tocar a primeira parte, a invenção e feitura dos roteiros, oferecendo subsídios, soluções e dissoluções que fazem parte da dramaturgia, que compõem o “raciocício dramático”, diferente de outras formas de pensar. Usei o verbo tocar no sentido de músico em uma orquestra, já que a metodologia a ser utilizada é o trabalho coletivo e imersivo. Vamos todos tocar juntos, os participantes, eu, a produção. Pensar coletivamente, vasos  comunicantes, antiescolástica. Quanto à imersão, é sério: sete dias de dedicação absoluta ou não chegaremos onde queremos. Serão mais de cem horas de trabalho intensivo.

Depois disso, o núcleo criativo e o núcleo produtivo escolherão um dos roteiros em conjunto com o cineasta Edgard Navarro, que se ocupará de tocar a segunda parte com o grupo: gravação. A escolha de Navarro é perfeita, é o cara que sabe fazer filmes transcendentais do quase nada, ou do muito que é ser um artista independente, inovador e generoso. A linguagem do cinema é a mesma do sonho: pode ser muito grave (as dores do mundo) e também pode anular a força da gravidade (a leveza do espírito).

Um Comentário...

  1. Diogo disse:

    onde e qt sera?

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