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PONTO FINAL DA JORNADA INTERNACIONAL DE CINEMA DA BAHIA

Por Guido Araújo

 

Atendendo ao convite de Jorge Alfredo para escrever uma matéria para o primeiro número da revista Caderno de Cinema, achei que era oportuno e o melhor espaço para explicar porque estamos chegando ao fim da Jornada Internacional de Cinema da Bahia, após praticamente quatro décadas de existência.

Acredito que a Jornada na sua longa trajetória cumpriu o seu papel como espaço independente de promoção de um cinema cultural, que tinha como destaque principal os valores positivos do ser humano. Apesar de continuar acreditando nos mesmos ideais de chegar um dia, através da luta e trabalho, a um mundo mais humano, mais justo e democrático para todos, acho que cabe agora aos mais jovens prosseguir a caminhada, observando os atuais anseios da sociedade baiana.

Surgida em 1972, num momento difícil da realidade brasileira com o Governo Médici à frente da Ditadura, a Jornada, ainda denominada Baiana de Curta Metragem, chegou despretensiosa, mas já com o espírito de luta como espaço de resistência e promoção do cinema baiano e brasileiro.

Cumprindo o seu primeiro papel ao tirar o meio cinematográfico baiano de estado de letargia de então, um ano depois a Jornada já voltava nordestina, mas com dimensão nacional,  para dar início a uma trajetória histórica do cinema brasileiro, com a criação da Associação Brasileira de Documentaristas-ABD, que surgia como primeira entidade cinematográfica brasileira de âmbito nacional. Também tinha início a retomada do movimento cineclubista brasileiro, esmagado pela Ditadura, desde o ano de 1969.

A partir daí, a Jornada foi num crescimento constante, fortalecendo o seu ideário de luta, resistência e promoção do cinema independente internacional, sobretudo da América Latina e das cinematografias dos países que lutavam pela sua afirmação e independência e que, normalmente, não chegavam até o público brasileiro por causa da censura ditatorial.

 Finalmente, em 1985, por ocasião da 14ª edição, a Jornada passa a se chamar Internacional de Cinema da Bahia, tendo sido inaugurada no dia 09 de setembro pelo primeiro Ministro da Cultural do Brasil, Prof. Aluísio Pimenta. Naquele momento a Jornada ganhava também o reconhecimento oficial pela sua identidade, o que levaria o cineasta Tuna Espinheira a declarar: “A Jornada é o único festival de cinema do Brasil onde a vedete no ‘set’ de debates é a perspectiva de saída do filme cultural. A Jornada de Cinema da Bahia, hoje transformada em evento internacional do Terceiro Mundo, permanece fiel ao seu lema de sempre POR UM MUNDO MAIS HUMANO.”

Ao longo de todos estes anos, a Jornada trouxe à Bahia grandes mestres do cinema brasileiro e internacional e contou com a expressiva participação dos cineastas baianos. Por ocasião do evento foram no decorrer dos anos mostrados ao público participante novas produções baianas e brasileiras, assim como inúmeros filmes emblemáticos da cinematografia mundial, além de exibir, pela primeira vez no país, algumas produções marcantes de várias partes do mundo. As Jornadas ofereceram também a todos os interessados várias mostras informativas, seminários internacionais, debates e exposições. A partir da 6ª Jornada (1977) começou a ser editado o Jornal da Jornada, uma rica fonte de informações e comentários sobre o evento e sobre a produção independente cinematográfica. Cada Jornada teve o seu Catálogo, informando a programação do Concurso que, na primeira edição foi para os filmes produzidos na Bahia, na segunda os filmes feitos no Nordeste ou sobre o Nordeste, na terceira a produção brasileira que se estendeu a toda a América Latina, ampliando depois o leque das inscrições para o concurso também para os países lusófonos e para os países da língua espanhola, resultando no concurso Afro-ibero-latino-americano. A evolução das tecnologias de comunicação trouxe novos suportes digitais e, ao lado do tradicional concurso de filme, foi criado o concurso de vídeo. O material publicado desde 1972 até 2011 (Jornal da Jornada, Catálogos da programação, Publicações dos seminários em forma de livros ou anais, Catálogos das exposições e registros cinematográficos e digitais) está aí esperando para ser analisado e avaliado pelos pesquisadores interessados em resguardar a memória de um evento que faz parte da história cultural da Bahia e do Brasil.

 Do ponto de vista de recursos, a Jornada sempre enfrentou grande dificuldade financeira, em virtude da sua característica de evento independente e eminentemente cultural, mostrando-se avessa aos aspectos comerciais, badalativos e característicos da mediocridade mediática. No período trágico do Governo Collor, o festival esteve seriamente ameaçado, como de resto todo o cinema brasileiro. Nos anos de 1989 e 1990, a falta de recursos levou durante dois anos consecutivos à suspensão da Jornada, o mais antigo evento cinematográfico nas regiões Norte e Nordeste. A organização da Jornada decidiu nesses dois anos substituir o festival por um acontecimento mais simples, mas curto e mais barato: O Simpósio Internacional do Cinema na Defesa do Meio Ambiente. Os filmes exibidos, as palestras e os debates (a grande estrela foi o cacique Raoni, acompanhado do seu sobrinho Megaron) destas duas “pequenas jornadas” mostraram claramente que o cinema é um forte meio de comunicação para denunciar e também para conscientizar a população de todas as faixas etárias dos efeitos danosos que a devastação da natureza pode causar ao nosso planeta.

Contudo, foi dada a volta por cima e desde o início da década 90 do século passado, a Jornada voltou, focalizando assuntos de grande atualidade, como diversas questões ligadas ao meio ambiente (a destruição da camada de ozônio, ameaça da falta de água, o perigo dos agrotóxicos, etc), a problemática dos índios brasileiros, Nordeste e Euclides da Cunha, o caos das cidades, direitos humanos e cidadania. Todos estes temas bastante interessantes para os alunos de vários níveis, desde o primário até o superior. Neste contexto, a Jornada inclusive fez várias programações e exibições acompanhadas de debates em escolas públicas da capital baiana e do interior, assim como nas comunidades de bairro. Houve também apresentação das mostras dos filmes premiados da Jornada tanto na Bahia como em outros estados brasileiros e mesmo no exterior.

Não cabe aqui fazer todo um histórico destes 40 anos da Jornada com suas conquistas, dificuldades, acertos e erros. Manter a Jornada por tanto tempo foi possível graças a algumas instituições e, sobretudo, a várias pessoas, cineastas, críticos, artistas plásticos, pesquisadores, estudantes, professores e componentes da equipe da organização do festival. É o momento de agradecer a esta legião de amigos da Jornada que apoiaram o evento e expressar a profunda saudade pelos inúmeros companheiros que já partiram, mas que estarão sempre presentes na memória de um evento que começou modestamente como baiano e terminou internacional, com forte repercussão sobretudo na América Latina e nos países africanos de fala portuguesa.

Vale a pena ressaltar que em junho próximo o espírito da Jornada será levado ao RIO + 20, apresentando a mostra dos filmes sobre o perigo dos venenos que o Brasil consome através dos agrotóxicos (“O Veneno está na Mesa” de Sílvio Tendler, “Our Daily Poison” de Marie-Monique Robin e “Em busca da Terra sem Veneno” de Noilton Nunes). Estes filmes foram exibidos no ano passado durante a 38ª Jornada, acompanhados de palestras e animadíssimos debates, tendo incentivado o movimento contra o uso exagerado de defensivos agrícolas. O modesto festival baiano poderá mais uma vez contribuir nas ações ligadas às tentativas de garantir a continuidade da existência do nosso Planeta Azul e a humanidade em geral.

Veja versão integral em http://youtu.be/HLYks2duYjQ

35 Comentários...

  1. sergio peo disse:

    Guido, parabéns por seu trabalho à frente da Jornada, que sempre foi uma luz, farol e motor de apoio e estímulo ao cinema brasileiro. Me lembro do Cosme Alves Neto, companheiro desta luta e apelo à consciência de todos a quem a Jornada pede passagem para prosseguir seus passos. Atenção MINC, SAV e ANCINE. VIVA A JORNADA quer dizer VIVA O CINEMA BRASILEIRO.

  2. Silvio Tendler disse:

    Vamos lançar um SOS nacional neste 40 anos da jornada. Vamos à luta!
    Silvio Tendler

  3. Tuna Espinheira disse:

    Durante décadas a Jornada Bahia foi um oásis do cinema cultural, um foco de resistência nos anos de chumbo. As grandes discussões em defesa do cinema brasileiro aconteciam neste evento. Também a ABD-Nacional, nasceu ali. Cadê a SAV e o MINC? A Jornada fez história, representa uma espécie de festival cujo cuidado especial era passar a limpo as coisas necessárias a um cinema independente, voltado para um Brasil brasileiro, reunindo pessoas importantes da sétima arte, exibindo filmes, trocando ideias. Sem o clima meramente festivo, sem aqueles “doutores em anedotas e em champanhotas”. Com a palavra, os cineastas, as ABDs, os críticos e todos os homens e mulheres que apreciam o cinema cultural… Vamos salvar a JORNADA!!!!
    Tuna Espinheira

  4. […] de 40 anos. Em artigo, intitulado Ponto final,  para a publicação digital Caderno de Cinema (http://cadernodecinema.com.br/blog/ponto-final/) , criada este ano pelo cineasta baiano Jorge Alfredo e em seu primeiro número, Guido explica as […]

  5. Arnaldo Carrilho disse:

    Os que lá estivermos, em torno do querido Guido de sempre, desde os áureos tempos (1955) da carioca Praça da Cruz Vermelha e do sucesso em Karlovy Vary um ano depois, teremos as palavras do Silvio à nossa frente e ao nosso lado. Desde que me apresentei ao I Festival do Cinema Brasileiro na Bahia (1962) – nosso Guido em Praga ainda -, levando Arne Sucksdorff a conhecer o cinema baiano e convidados diante daquele trio de mestres e companheiros que eram Paulo Emilio, Walther da Silveira e Alex Viany, o germe da Jornada estava lançado aos quatro ventos. Eis porque a iniciativa do Guido germinou e pôs a Bahia do Brasil no mundo e este no Brasil da Bahia. Tenho bem presente os encontros que mantivemos naquela sede, como o antológico e inesquecível com Santiago Álvarez num passaio a Itapoan, presentes Orlando e Conceição Senna (1986). Nossas vidas são assim: medem-se por decênios dobrados, triplicados e por mais de metades de século. A Jornada tem ido bem além dessas implicações geométricas, pela Bahia, pelo Brasil e pelo cinema, sempre na vanguarda. A Jornada vive, logo, viva a Bahia da Jornada! Bons espíritos, como o de Glauberu Rochovsky, Roberto Pires e Olney São Paulo e vários outros, como o do recém-partido Chris Marker, estão de olho, não é mesmo Guido?

    Abraços a todos e até breve, Guido.
    Arnaldo C. – diplomata e homem de cinema

    • Silvio Tendler disse:

      Belas palavras e lembranças do Cônsul. Sem esquecer a retrospectiva Joris Ivens, a presen’va de Thomaz Farkas, Rudá de Andrade. As projeções e a presença de Matie Monique Robin (“O Mundo Segundo a Monsanto), do cinema africano, latino-americano, do Jean Rouch. Foi na Jornada que Salvatore Solimenno assistiu meu filme “Glauber”e convidou para uma turnê pela Itália.

      Não deixemos a Jornada ser assassinada. Revigoremos ao invés de desligar os tubos. Sou um rensacido, sei do que estou falando.

      Silvio Tendler

  6. Andresa Nunes disse:

    Parabéns Guido! Voce nos ensinou muito nessa incrível trajectória pelo Cinema Brasileiro e Universal!

    Obrigada por fazer parte do seu time por uma Jornada.

    Love and Light!
    Andresa.

  7. Tetê Moraes disse:

    A Jornada pode se transformar mas não pode acabar. Longa vida a Jornada.

  8. Arnaldo Carrilho disse:

    O texto de nosso muito querido Guido Araujo deveria estar à mesa da titular da Cultura, do presidente da Ancine e de todos os patrocinadores do Cinema Brasileiro. É mais que lamentável que, até agora, não tenha havido uma reação mais eficaz, nos meios competentes, que os protestos da gente de cinema. A Bahia, o Brasil, a América Latina e o mundo inteiro perdem com essa absurda interrupção de um evento anual transformador, como foram as Jornadas baianas. Guido querido, fechamos com você (aliás, desde 1956) e não abrimos de forma alguma.

  9. […] encerramento da Jornada.  Na  revista eletrônica Caderno de Cinema Abraços, Alberto Freire http://cadernodecinema.com.br/blog/ponto-final/                             CANSAÇO – A LONGA ESTAÇÃO: […]

  10. Jorge, gostaria de sua permissão – e do Guido também – para republicar o artigo dele na minha revista, SOMBRAS ELÉTRICAS. Pode ser?

  11. José Cerqueira disse:

    Concordo bastante com o comentário de João Rodrigo Mattos. Entendo, porém – se é que não o estou repetindo com outras palavras – que a Jornada Internacional de Cinema já vinha “reclamando” há muito do manifesto apoio que vemos agora através do Caderno de Cinema. O evento, ao meu ver, já havia chegado, em passado não muito recente, ao ponto final e não me consta, na época, sequer uma presença representativa ao seu funeral. Um dos mais graves sintomas do seu enfraquecimento, deu-se em sua área de administração de marketing, na montagem de uma influente e capacitada equipe que lhe desse uma nova roupagem e novos rumos. Um patrocinador percebe facilmente um produto em ascenção, em permanente revitalização, de algo que perdeu suporte, que almeja o mínimo apenas para se manter vivo. É difícil compreender como uma marca como a Jornada – com sedução cultural acumulada pelo tempo e capaz de atrair patrocínio em nível nacional – tenha chegado aonde chegou. Tudo bem, o Guido não soube passar o bastão (tudo na vida tem essa hora), mas o seu mérito estará sempre acima de qualquer comentário, inclusive o meu.

  12. Alba Liberato disse:

    Caro Jorge Alfredo, estávamos precisando mesmo deste estímulo de vibração que vc. inaugura, parabens outra vez! Falar do território de embates e vitórias por 4 décadas de Jornada é responder tambem pelo cinema de animação baiano. nascemos juntos, a Jornada e nós, Chico e eu como desenho animado. E ambos, como diz Guido, sem maiores pretensões. Queríamos apenas ter voz no ambiente saturado da ditadura. O que já era suficiente pretensão. E creio que ambos, jornada e animação baiana, se tornaram maduras para fazer-se respeitar como projeto cultural de carater socio-político para toda a sociedade, para além de nossas ações situadas no espaço e no tempo. Há gerações chegando com suas demandas que podem encontrar resposta no debate crítico do cinema e no cinema animado. Profissões, opiniões, tomadas de consciência podem e devem encontrar na jornada e no cinema de animação o campo de possibilidades da expressão audio visual. Festivais como o Anima Mundi certamente receberam força e luz do grande rio da Jornada. Como animadores não podemos desvincular a Jornada de Cinema da Bahia do cinema de animação produzido no Brasil. E só posso considerar este momento como um elo suspenso que logo encontrará como se unir à grande corrente da cultura brasileira e, com toda pretensão, latinoamericana e global.
    Alba Liberato

  13. Jorge Alfredo disse:

    + comentários de José Joffily / Edyala Yglesias / Silvio Tendler / Márcio Curi / Luiz Zanin / Ricardo Pinto e Silva

    José Joffily escreveu:

    Não se pode deixar naufragar um Festival tão significativo para o Cinema Brasileiro.
    josé joffily

    Edyala Yglesias escreveu;

    Oi Jorge,
    A jornada motiva. Nao se pode compreender que a historia da Jornada se interrompa por falta de apoio. Absolutamente de acordo com os comentarios e sugestões para a continuidade da Jornada e seu desdobramento numa publicação. Grande abraço aos bravos guerreiros do cinema e longa vida ao caderno de cinema,
    Edyala Yglesias

    Silvio Tendler escreveu:

    Alô Petrobras. volte a patrocinar a Jornada. Vai ser muito bom para todos
    Silvio Tendler

    Luiz Zanin escreveu;

    Eu li, Jorge Alfredo. De fato, é preciso fazer alguma coisa para salvar a Jornada. No ano passado estive com Guido, de passagem por Salvador, e achei ele muito desanimado. Não vi o vídeo. Vou ver.
    Abraços. Zanin

    Ricardo Pinto e Silva escreveu:

    Parabéns, Renato, pelo texto.
    E solidariedade à Jornada, onde a maioria de nós já exibimos nossos filmes.
    Ricardo Pinto e Silva

    Marcio Curi escreveu:

    O Orlando lembrou bem! É preciso que esse movimento se respalde a partir da Bahia. É de lá que precisa engrossar essa corrente. Acho que as novas gerações baianas precisam acordar – ou serem acordadas – e perceber o patrimônio simbólico e real que está para ser perdido. Como já disse em um post anterior, é hora de essa geração assumir a permanência da Jornada como uma tarefa prioritária. Repaginá-la, sob a inspiração de figuras maiores como Guido, o professor Walter da Silveira, o próprio Orlando e tantos outros, e assegurar-lhe a perenidade das iniciativas que fizeram e podem continuar a fazer a diferença.
    abs
    Marcio Curi

  14. Renato Tapajós disse:

    Caros
    A Jornada não pode acabar. Primeiro, porque durante muitos anos – nos tempos da ditadura – ela foi um espaço de liberdade e de resistência. Nos dois aspectos: ao abrigar um cinema que remava contra a corrente e ao promover, constantemente, as idéias de que o melhor cinema é o que se faz em liberdade e a de que o cinema é um instrumento essencial para a conquista desta liberdade. Depois do fim da ditadura, com a multiplicidade de mostras e festivais que se alastraram pelo pais, a Jornada continuou seu trabalho de afirmar que cinema não é só tapete vermelho e lantejoulas, mas sim um trabalho duro e cotidiano pela justiça, pela ética e, mais uma vez, pela liberdade.
    Guido Araújo foi, e é, o grande artífice desse projeto de mostra que não tem paralelo no país. São mais de trinta anos de luta – muitas vezes solitária – por um cinema que se preocupa, primeiro, com o país, com a luta de seu povo, e depois, muito depois, com o mercado, com os holofotes com a gloria efêmera.
    Guido merece o apoio de todos os que se preocupam seriamente com cinema. Merece o agradecimento e o afeto de quem continua pensando num cinema brasileiro digno, sério, ético e, da forma mais correta possível, político.
    Em tempo: tanto me identifiquei com a Jornada que fui premiado sete vezes lá, com prêmios diferentes e ao longo de mais de três décadas. Em 76, com “Fim de Semana”; em 77 com “Acidente de Trabalho”; em 80 com “A Luta do Povo”; em 84 com “Nada Será como Antes. Nada?”; em 86 com “A Humilhação e a Dor”; em 2003 com “No Olho do Furacão”, em conjunto com Toni Venturi; em 2009 com “O Rosto no Espelho”.
    É grande minha divida com a jornada. É grande a divida do cinema brasileiro com a jornada. Ela precisa de todo o apoio e não pode desaparecer.
    Renato Tapajós

  15. João Batista de Andrade disse:

    Caro Jorge Alfredo,
    Meus parabens pela iniciativa.Precisamos sempre de espaço para debater nosso cinema. Como o Silvio, reitero aqui também meu apoio à Jornada. Além de todo significado pioneiro, político, nacional da Jornada, sempre construida com o sangue e a teimosia do Guido Araujo, quero dizer que a Jornada é parte importante de minha trajetória tanto como cineasta quanto como ativista cultural. Ali recebi um prêmio de que muito me orgulho, de Melhor Filme pelo “MIGRANTES” em 1973, ali participei, na década de 70, dos intensos debates em torno da criação da ABD, da Lei do Curta e, de forma geral, de todas as questões, propostas e dificuldades do Cinema Brasileiro. Já disse isso e repito: o Cinema Brasileiro tem uma dívida imensa com a Jornada e o Guido Araujo. Por isso esse é preciso acabar de vez com esse absurdo que nos ronda a cada ano, do fim da Jornada.
    Um abraço
    João Batista de Andrade

  16. André Setaro disse:

    Por algumas décadas, principalmente a da conturbada década de 70, as jornadas baianas se constituíram no único ‘point’ aglutinador dos cineastas baianos. Boa parte da geração de realizadores que faz, hoje, cinema na Bahia, nasceu do ‘boom’ superoitista que explodiu nos eventos de setembro: Edgard Navarro, Pola Ribeiro, Fernando Belens, entre muitos outros que prefiro não tenta citar para não incorrer no risco da omissão. O movimento cineclubista, cerceado pelos grilhões da ditadura militar então imperativa naqueles anos, tomou fôlego nas jornadas, vindo a encontrar, nelas, um ânimo de preservação que parecia perdido. A Associação Brasileira de Documentaristas, a ABD, pôde se constituir graças ao apoio das jornadas, quando se tornou, na sua terceira edição, nacional. O espaço quase consular do Instituto Goethe favoreceu os encontros das pessoas ligadas ao cinema brasileiro para o debate de ideias.

    É lamentável que a Jornada tenha, assim, depois de mais de três décadas, um abrupto ponto final. Os responsáveis pela cultura no Brasil estão na rota diversa de suas finalidades primeiras.

  17. Jorge Alfredo disse:

    repassando as mensagens de Manfredo Caldas e Rosemberg Cariry;

    Todo o apoio à Jornada Internacional de Cinema da Bahia, símbolo maior da resistência cultural no Brasil.
    VIVA GUIDO ARAUJO!
    VIVA O CINEMA BRASILEiRO!
    Manfredo Caldas
    ————————————–
    Todo apoio à Jornada e ao Templo Glauber.

    Estamos juntos nesta luta.

    Rosemberg Cariry

  18. Jorge Alfredo disse:

    repassando as mensagens de Ana Maria Magalhães e Paloma Rocha;

    A Jornada da Bahia é um dos mais tradicionais festivais de cinema do país.

    Que Brasília e Bahia se unam para que a Jornada continue a sua trajetória.

    Longa vida à Jornada.

    Ana Maria Magalhães
    ————————————————————-

    Alô Alô SAV, que não se repita na Jornada o que aconteceu com o Tempo Glauber.
    Paloma

  19. Orlando Senna disse:

    A Jornada da Bahia, patrimônio público nacional (e internacional), referência da cultura cinematográfica norteada pelo humanismo, pela defesa da justiça, da democracia, do ambientalismo, “por um mundo mais humano”, merece melhor atenção por parte dos governos.
    Que bom que o MinC se pronunciou, mas essa melhor atenção tem de existir, também e principalmente, lá na Bahia. Alô alô governador, alô alô secretário da Cultura, alô alô Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia.
    Orlando Senna

  20. Fabiana disse:

    Esse momento se desenha há muitos anos, infelizmente. A Jornada acontece ao menos há uma década simplesmente porque tem a importância histórica inegável que conquistou nas outras três. Mas administrativamente está um desastre. Já estive presente a situações constrangedoras, onde o próprio evento desprestigiava-se flagrantemente. Concordo que não deve deixar de existir, pois seria uma morte que deixaria além das saudades, um cadáver a nos incomodar debaixo da cama. O que fizemos de nossa história? perguntar-nos-emos eternamente.

    Mas, vejam a situação: quando há algum tempo a Petrobras resolveu mudar o status da Jornada e pediu que ela se inscrevesse para receber os recursos como todo projeto faz, Guido perdeu o prazo e, para resolver a situação, fez circular entre bem intencionados desinformados um abaixo-assinado contra a patrocinadora. Conseguiu na marra o recurso naquele ano e, provavelmente, o perdeu para sempre dali em diante. Porque quando são os outros a fazerem esse tipo de pressão para liberação de recursos “por fora” das regras, todos levantamos a voz contra o favorecimento, a não ser que sejam nossos amigos. Aí tudo certo.

    Entendo. Raciocinando comercialmente, mesmo com a imensa história da Jornada, associar a marca a este evento só é vantajoso na cabeça de quem não o frequenta mais. Uma herança merecidamente auto-legada está se perdendo e não é culpa de conspirações, crises econômicas, invejas ou que tais. Quem não se reinventa simplesmente se entrega à decrepitude que acompanha a velhice e culmina com o falecimento.

    • andré disse:

      querida Fabiana.
      não te conheço. ainda mais sem sobrenome ou qualquer outra referência.
      mas conheço a Jornada e a situação aventada. o prazo não foi perdido. o site de Petrobrás não finalizava a inscrição online e não era possível fazê-la pessoalmente,( via impressa), sem ser através do site. não foi conseguido na marra. foi provando que o site da Petrobrás estava “travado”. na época, saíram matérias em diversos jornais sobre o ocorrido. não vou comentar os seus ataques e adjetivações pessoais. como já disse, não te conheço. espero que você obtenha mais respeito na sua “velhice” do que você dirige às pessoas que nem conhece.

    • Carlos disse:

      Fabiana,

      Se todo baiano tivesse a lucidez que voce passa no seu escrito, a Bahia cultural de hoje não seria essa merda de ser só verboragia.
      Você é aqui, a figura da “Caverna de Patão”. Sorte que é virtual, se não eles te mataria.

  21. Bertrand Duarte disse:

    Tive o grande prazer de contribuir com um texto para a primeira edição do Caderno de Cinema. O fiz, porque além do carinhoso convite de JAlfredo, considero que nossos instrumentos de discussão e prospecção de novos caminhos para o nosso cinema devem ser ampliados e fomentados. Pronto: já surgiu a primeira demanda. A continuidade indiscutível da Jornada Internacional de Cinema da Bahia. Descarta-la seria – como em muitos casos na Bahia – enterrar mais um trecho importante da nossa história. Nós somos escravos do tempo, dos segundos avassaladores do presente com as nossas demandas, mas este passado – o de Guido com a Jornada Internacional de Cinema da Bahia – é o estandarte da resistência e da prova que o cinema é a eternização dos grandes feitos e dos passos adiante que conseguimos dar em busca de um mundo mais justo e humano.
    Caso, crie-se alguma comissão ou necessite-se de alguma representação em busca desse objetivo, coloco-me desde já à disposição bem como a pessoa jurídica da minha/nossa produtora, a POP&Cult.
    No aguardo de novas coordenadas,
    Avante com a Jornada Internacional de Cinema da Bahia!!!!!
    Bertrand Duarte

  22. Sivio Tendler disse:

    Jorge Alfredo:
    Em primeiro lugar, parabéns pela publicação. Enfim um canal de debate de idéias onde o cinema é a razão de ser.
    Em seguida, reitero meu apoio a Jornada, o mais antigo Fórum de discussão nacional que contou em seus tempos memoráveis com a presença de Tomaz Farkas, Sergio Muniz, Ruda de Andrade e Cosme Aves Netto; Trouxe Jean Rouch e as mostras de Joris Ivens e Santiago Alvarez.
    Todos nós participamos de alguma forma e aí muitos de nós nos formamos. A Jornada é Patrimônio público nacional e não pode cessar por conta do lobbismo que domina a política de patrocínio dos festivais. Ainda bem que a Ana Paula Santana acordou e pode ser que o MinC entenda que tem que salvar a Jornada. Contém comigo nesta luta. E viva Guido Araujo!
    Abraços
    Sivio Tendler

  23. Josias Pires disse:

    A imagem de Silvio Tendler entubado sugere a metáfora do fim iminente da Jornada Internacional de Cinema da Bahia, depois de 38 edições. Contudo logo esta imagem passa a sugerir outra ideia mais excitante: estamos aqui resistindo, lutando pela vida.

    Por que afinal chega ao fim evento tão significativo para a cultura brasileira? Por que a Bahia pode perder a oportunidade de potencializar evento construído em torno de valores tão fudamentais para a humanidade? Para o Brasil e para o cinema brasileiro, particularmente o cinema documentário brasileiro?, como lembra Tendler.

    Se a Jornada deve ser repensado, que seja em termos operacionais, pois os princípios q norteiam a Jornada apontam numa direção que devemos olhar com toda a atenção.

    E quero aqui deixar registrado também o nome de uma pessoa a quem sempre associo a imagem da Jornada, nosso saudoso amigo Luis Orlando infatigável lutador do cinema, parceiro de Guido, um dos guardiões da memória da Jornada.

    Vida longa à Jornada Inrernacional de Cinema da Bahia.

  24. […] Leia o texto comleto de Guido Araújo e o link para o filme completo com Silvio Tenler aqui:  http://cadernodecinema.com.br/blog/ponto-final/ […]

  25. A Jornada Internacional de Cinema da Bahia é fundamental para o cinema brasileiro e internacional. Se trata de encontro que valoriza à fruição cinematográfica. Encontro que repercute o cinema de arte, o cinema autoral, o cinema com posicionamento social e político. Desde que comecei a participar de cineclubes, lia sobre a jornada e ouvia relatos impressionantes do evento, como os do saudoso Luiz Orlando. Da mesma forma, acompanhei a trajetória do Guido Araújo e sua dedicação a esta causa. Tive a oportunidade de conhecer o Guido, durante homenagem prestada a ele pelo Festival de Atibaia. Todos que militamos no cinema devemos ter uma lembrança desse emblemático festival baiano. Lembro sempre da alegria que senti ao saber que o primeiro documentário que dirigi, “Águas Dançantes” (1998), havia sido selecionado para a Jornada em 1999. No ano passado, convidado pela Jornada e pela União de Cineclubes da Bahia (UCCBA), consegui participar um dia do evento e sentir a importância de suas reflexões. A Jornada Internacional de Cinema da Bahia é vital para todos. É visceral e contundente. Tem que continuar. Seus debates, sessões e aquilo que repercute faz o cinema ser mais verdadeiro e livre. Esta certamente também é a opinião de meus colegas de diretoria do CNC – Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros. Desde já, estamos a disposição para trabalhar e auxiliar no que for necessário.

  26. Marcio Curi disse:

    Fecho com o João Rodrigo. O trabalho do Guido é importante demais para que o seu legado se perca de forma tão melancólica. Agrego ao depoimento do João Rodrigo o meu depoimento pessoal de que o trabalho do Guido, no pré e no pós criação da Jornada, ajudou a formar toda uma geração de cineastas e produtores. Eu próprio, André Luiz e Tuna Espinheira – pra falar apenas de pessoas com quem compartilhei parte importante da minha vida profissional – devemos muito da nossa formação ao Guido e à Jornada. Nada mais saudável e natural, portanto, do que as novas gerações se investirem de um mandato renovado, tomando o Guido Araújo como patrono e inspirador, e reinventarem a Jornada, criando-lhe novas possibilidades, abrindo-lhe novos horizontes e valorizando a sua história.
    Não é o que você pensa João. É o que pensamos. Somos muitos mais, pode ter certeza.
    abs
    Marcio Curi

  27. Ao ler o texto do Guido, fui acometido de uma certa melancolia.
    Se para mim, a Jornada foi fundamental para a minha informação e formação ( sobretudo a formação de um olhar ), imaginem para as gerações que vieram antes ?
    Sempre fui assíduo espectador e partícipe. E no ano de 1994 fiz parte da equipe do festival junto com o Guido, a Diana Gurgel, o Luciano Lima ( hj requisitado diretor de filmes publicitários ), Evelin Guedes ( mestra e docente em literatura na Universidade de Lisboa ) e o saudoso e inesquecível Luis Orlando.
    Tudo tem o seu tempo, mas creio que a Jornada possa ser repensada e repaginada. O incansável Guido merece decerto um descanso de guerreiro, mas tudo o que foi construído por ele não pode ser esquecido : as pontes, os contatos, a network, o legado. Os jovens deveriam assumir o festival e o Guido ser o seu presidente de honra, digamos. A Jornada merece renascer reconectada com o que há de mais moderno nas tecnologias audiovisuais e com o que há de mais profissional em estrutura de eventos cinematográficos.
    Centenas de festivais brotam como cogumelos pelo Brasil, mas 90% deles sequer sonhará em equiparar-se com a importância e relevância da Jornada em seu contexto histórico.
    Assim, o meu feeling diz que o nosso querido Guido deve passar o cetro da Jornada formalmente para uma nova turma que se responsabilize comprometidamente por atualizá-la e recolocá-la no mapa do nosso calendário cinematográfico. E essa turma teria nele o seu ponto de referência conceitual, como seu presidente de honra.
    A revitalização da Jornada só autenticará essa triplice aliança saudável para o nosso calendário cinematográfico, junto com o Panorama Internacional e o SemCine.
    Não sei se estou correto, mas é o que sinto.
    Obrigado Guido, vc é o cara.

    João Rodrigo.

  28. Jorge Alfredo disse:

    Será que não teremos mais a Jornada esse ano?

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