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Entre Wilson Gray e Wagner Moura, prefiro ser Greta Garbo

 

por Caco Monteiro

 

 

Recebi uma ligação do meu querido “Jinho”, jeito carinhoso como chamo Jorge Alfredo, com voz emocionada e feliz da vida, me comunicando a conquista da segunda edição gráfica do Caderno de Cinema. Jinho ao telefone: “Olhe, Caco Monteiro já vai estar presente na segunda edição, você não quer escrever alguma coisa, sei lá…” Retruquei…“e os meus quatro artigos que já escrevi? Não servem?” Percebi na pausa dramática dele que claro que serviam, mas ele como sempre, seguia querendo mais outras palavras minhas, palavras novas, palavras ao vento…hã, que palavras, que vento? Vou falar o que pelamordeDeus? Ele: “Sei lá, confio no seu caco, ops, no seu taco, pense aí!”

Depois da ligação, instigado que fiquei, me reservei como um purê de banana verde (Godó) e segui pensando nas próximas palavras e num possível próximo assunto.

Peguei um lenço, um documento e fui caminhar contra o vento em direção ao Porto da Barra, para ver se encontrava as tais palavras ao vento. E toda vez que ando contra o vento vem logo um pensamento… É sempre assim.

Com os meus longos cabelos ao vento, segui pensando e pisando com cuidado nos meus pensamentos, e de repente em frente ao Farol da Barra, me lembrei de um papo meu comigo mesmo, uns tempos atrás, de que eu NUNCA quis ser FAMOSO e sim quis sempre ser um artista QUASE famoso. ALMOST FAMOUS, como chama “nim” Hollywood!

Lembro que fiz várias sessões de acupuntura para trabalhar esse meu trauma artístico, essa falta de ambição de não querer ser um Wagner Moura e sim almejar sempre ser um Wilson Gray. Foi Phodda, fiquei com o corpo furado de agulhas por vários diversos anos, mas valeu a pena, hoje sou um artista quase famoso sem traumas.

O que é ser um artista QUASE famoso?

No verbete do meu dicionário artístico QUASE FAMOSO é…um operário da arte que tem sempre trabalho, seja ele de coadjuvante, de figurante ou de ajudante e que odeia estar em revistas de fofocas, nos vídeos shows da vida, caga pra fama e preza pela sua privacidade.

Bom, sempre prezei pela minha privacidade, antes de ser ator inclusive e não abro mão dela. Odeio fofoca de mim. Tenho um ditado que carrego na minha “pochet” por muitos anos: “ Meu nome não é osso, pra andar em boca de cachorro!”.

Dito isso, quero dizer que toda essa coisa de ser QUASE FAMOSO se ratificou depois de ver numa camisa suada e surrada no corpo de um gordo afro americano em Nova York no ano de ontem, os seguintes dizeres estampado “I AM ALMOST FAMOUS”! Estalei meus olhos na camisa do rapaz enorme de gordura e pensei com a minha razão d’alma: “É Isso o que eu quero ser! QUASE FAMOSO!”.

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A partir daí pautei a minha carreira artística, de ser quase e olhe lá, famoso!

Me considero um ator/rapaz tímido, apesar de um monte de gente não comer essa pilha, mas sou, e sempre me incomodou o fato de ser ATOR, e ter que consequentemente ser conhecido, ser uma pessoa pública. Gosto sim de ter o meu trabalho reconhecido pelos produtores e diretores de teatro, cinema, publicidade, televisão, etc., e que me chamem para trabalhar sempre.

Claro que entendo que ser famoso tem as suas compensações artísticas e financeiras, mas também sei o saco que é não poder ir a qualquer lugar público, seja um shopping center, uma praia, um supermercado ou um cinema que for, sem ser incomodado pelos fãs.

Tenho vários amigos famosos que fazem parte do “Star System” brasileiro e já presenciei várias situações desagradáveis com os fotógrafos “Paparazzis” e alguns fãs mais afoitos pedindo autógrafos quando estávamos jantando ou numa praia, e repito, é constrangedor. Tem dias que tudo bem, e quando tem dias que você não está a fim de dar um autógrafo? Nossa que artista nojento e mal humorado!!!

Sempre quis ter o direito de ficar alegre (leia-se bêbado) em público, sem no outro dia encontrar uma foto da minha cara torta num jornal ou numa revista de fofocas!

Portanto para concluir, quero dizer para os inúmeros fãs de Caco Monteiro que não existem, pois lembrem-se que sou QUASE FAMOSO, o que Greta Garbo um dia disse: Nunca disse, “Eu quero ficar sozinha.” Eu apenas disse, “Eu quero ser deixada em paz.” Existe toda uma diferença. 

 

 

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