caderno-de-cinema

Home » Artigos » Relatório de gratidão

 

por Alba Liberato

 

Retornamos da homenagem prestada pelo I Anima Ceará a Chico Liberato como pioneiro da animação brasileira. Destacando uma obra autoral que toca aspectos antropológicos e sociológicos do nosso povo, como são os curtas e os longas Boi Aruá e Ritos de Passagem, significa que o festival quer colocar em foco o cinema de animação que ultrapassa a simples diversão para ser uma expressão genuína da cultura do povo no cinema brasileiro.


O reconhecimento por nossos pares nos traz a força de quem enfrenta as mesmas dificuldades e delícias de fazer uma modalidade de audiovisual ainda  considerada meio “infantil” pela forte influência norte-americana de Walt Disney nos primórdios da animação nas telas brasileiras. No entanto,  o domínio técnico necessário e a forte capacidade de aglutinação de uma equipe persistente ao longo de meia década entre a semente inicial, o roteiro, até o filme nas telas, exige um outro olhar sobre a força de expressão que a animação pode transmitir em qualquer ângulo individual ou social que ela aborde. Filmes de animação cujo olhar crítico incidiu diretamente em estados tiranos, governos ditatoriais e opressivos nos fizeram direcionar na década de setenta, vivendo sob uma ditadura férrea,  parte de nossa produção de artistas sentindo a necessidade de pensar e estudar formas e conteúdos animados que expressassem a alma da nossa gente. Documentários em animação começam a ganhar força entre jovens animadores brasileiros a empreender a viagem de longo curso na qual o ponto de chegada jamais se assemelha ao ponto da partida. E essa é a beleza maior do processo.
 
Por isso participar do l Anima Ceará foi uma viagem especial. Voltamos renovados com o crédito e o aplauso de gente próxima da realização de Ritos de Passagem tais como alguém do júri que o selecionou, alguém da ANCINE que o financiou, alguém da SAV, a secretaria responsável pelo audiovisual brasileiro que avaliza todas as escolhas que levam nosso cinema pra frente. A mim pessoalmente veio a calhar a referência ao roteiro com texto e contexto, diálogos, como bem engendrados e significativos, o que me deu ânimo novo no momento em que configuramos uma possível rota para uma provável produção de animação que vem enchendo de imagens a mente prolífica de Chico Liberato.  Vamos em frente que atrás vem gente. 
 
Vida longa ao festival, que seus organizadores saibam manter o calor humano e a organização que nos tornaram tão próximos no mapa ainda muito rarefeito da animação brasileira.
Deusejelovado.

Deixe um comentário