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por Petrus Pires

 

 

Quando começei a pensar no restauro do Abrigo Nuclear, a primeira coisa que me veio à cabeça foi produzir um documentário que contasse todas as histórias que ouvia em casa pelos meus irmãos sobre esse filme. Desde a década de 1970, meu pai já militava contra a utilização da energia nuclear. Para isso, ele foi à procura do maior nome brasileiro neste assunto, o renomado professor de Física Nuclear da UNICAMP, César Lattes, acreditando que a energia nuclear poderia extinguir a vida humana a longo prazo. Tendo a colaboração de seu compadre e parceiro Orlando Senna, escrevem o roteiro do filme Abrigo Nuclear, uma produção ambiciosa que resulta na realização do primeiro filme de ficção científica totalmente produzido e rodado na Bahia. No mesmo período, ocorria a Guerra Fria entre os EUA e União Soviética e o Brasil fechava um acordo com a Alemanha para a construção de duas usinas nucleares. Estes fatos faziam crer que a sua preocupação tinha fundamento e que o momento era oportuno para a produção de um filme sobre o tema. Com pouco dinheiro, mas munido de sua capacidade criadora, meu pai construiu no quintal de casa uma “nave espacial” e um estúdio, chamou filhos, parentes e amigos e iniciou a produção de Abrigo Nuclear, que foi lançado dia 7 de setembro em 1981, no então cine Guarani que era dirigido por Antônio Pitton. É uma enorme satisfação poder relançar em 2015 o Abrigo Nuclear restaurado no mesmo cinema do seu lançamento, junto com a estreia do meu documentário, que intitulei de “BAHIA SCI-FI”. O filme foi uma criação coletiva entre muitos amigos e admiradores da obra do meu pai e conta com depoimentos de Orlando Senna, Laura Pires, Nonato Freire, entre outros, além de um vasto material em Super8 e fotos da produção do filme que aconteceu nos areais de Jauá, nos estúdios do quintal da casa na Boca do Rio e no Parque de Exposições. É neste espaço criativo de Roberto Pires que o documentário mergulha, desbravando o universo que envolve a Bahia e os boatos da possível guerra nuclear, transformando com seu olhar futurista a Salvador dos anos de 1970 em uma Bahia Sci-Fi.

capa; Roberto Pires e Orlando Senna

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