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Por Andrezão Simões

Jorge Alfredo Guimarães é um irmão. Nossas mães se amavam. Eram irmãs de vida. Dona Raimunda e Dona Alleluia. Nossas famílias ergueram amor. Jorginho, há muitos anos, incensa de fina arte, a música e o cinema baiano. A música estava em seu caderno, mas o Caderno de Cinema dominava seu tempo. Conversávamos sobre relançar suas canções, suas obras e suas delícias, até que a cada dia fui recebendo novas composições pelo ZAP, que sempre brinco como sendo o inverso de PAZ, e no seu caso, era mesmo.

A inquietação artística e a alma criativa estavam em alta produtividade, com vigor, poesia, estética singular e um jeito único de dizer e cantar a vida. Melodias que lambuzam mel no dia, de sabores, texturas e ofertas inimagináveis. Ser “disruptivo” está na moda, mas os anos 70 já tinham sido, e Jorge Alfredo, muito mais.

Cresci cantando ao violão nas rodas: “Rasta Pé é Moçada, No Passo Dessa Dança, Barra Mansa, Pisada de Afoxé…” e “Menino, Meniiiinoooo, é 2 de Julho, 2 de julho, cadê…” Jorge Alfredo e Chico Evangelista, que o corpo, se foi, mas a arte parceira segue em nós.

Agora Jorge Alfredo e João Santana, de palavras, simbolismos, imagens e percepções que a música só oferta a quem pode e não a quem quer, constroem, em união criativa, esta canção: SUAVE DISTOPIA. A música abriu o caderno de canções que Jorge Alfredo, com a lucidez ampliada de sempre, oferta ao seu tempo, em sua mais recente produção. Eu estou vestido com as “almas” de Jorge.

Obrigado, São. Salve, Jorge!

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